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Por Reinaldo
Stabolito
Considerado um clássico da casuística ufológica mundial, o caso
Barney e Betty Hill foi uma das primeiras abduções que tiveram repercussão mundial, inclusive na
comunidade científica. No dia 19 de setembro de 1961, o casal Hill estava voltando da viagem de
férias que fizeram no Canadá. Eles estavam na estrada de New Hampshire, com destino para
Portsmouth, onde residiam. Era noite e os Hill pretendiam seguir viagem até de madrugada, pois o
serviço de meteorologia havia dado um alerta sobre a possibilidade da região ser atingida por um
furacão e eles queriam chegar em casa antes que isso ocorresse.
Por volta da 02:30 horas,
já no sul de Lancaster, os dois avistaram um objeto luminoso voando no céu. O que chamou a
atenção do casal foi o fato que o objeto parecia estar acompanhado o carro. Intrigado, Barney
Hill parou o carro e saiu para tentar observar melhor o fenômeno, pois eles tinham um binóculo
no carro. E foi nesse momento que o casal Hill percebeu que o objeto era um enorme disco
contendo o que parecia ser uma grande cúpula na sua extremidade superior. A cúpula girava. Vale
ressaltar que, posteriormente, o comandante P. W. Henderson confirmou que um objeto não
identificado foi detectado pelos radares da base aérea de Pease na mesma data, hora e localidade
em que o casal Hill se encontrava.
O disco soltou alguns pequenos objetos com formato de esfera, os
quais voavam ao redor. Logo em seguida, começou a descer lentamente e Betty começou a gritar
para que seu marido retornasse para o carro. No entanto, Barney não dava a mínima atenção para
os apelos de Betty – era como se ele estivesse hipnotizado.
Subitamente Barney tem uma estranha sensação de que estaria para
ser capturado por aquele objeto. Temendo o pior, ele consegue reagir e volta rapidamente para o
carro. Enquanto isso, Betty já havia dado partida no veículo. O casal Hill sai em alta
velocidade com o carro, ouvindo um som – uma espécie de zumbido – que procedia do UFO. Mas logo
o estranho ruído parou e eles, aliviados, acreditaram que tinham conseguido escapar daquele
objeto. A uns cinqüenta quilômetros voltaram a ouvir o ruído novamente, mas não avistaram mais o
disco. O casal Hill não havia percebido que, entre os zumbidos, haviam se passado cerca de duas
horas e eles tinham percorrido apenas a distância entre Indian Head e Ashland. Para os Hill, o
tempo entre os zumbidos foi de dez minutos. Esse fenômeno é conhecido como "lapso de
tempo" (missing time) e é muito comum nas abduções alienígenas. O casal Hill só teve
consciência de que "perderam duas horas" na viajem quando chegaram em casa duas horas
mais tarde do previsto.
Nos dias seguintes, Barney e Betty Hill passaram a ter pesadelos
todas as noites. Incomodados com essa situação, eles foram buscar ajuda médica. Foram atendidos
pelo psiquiatra Benjamim Simon, que resolveu usar hipnose regressiva como instrumento para
tentar resgatar a memória do casal sobre o que realmente havia acontecido com as duas horas que
haviam sumido da viagem. A partir de sucessivas sessões de hipnose foi possível remontar passo a
passo os acontecimentos do incidente ocorrido naquela noite.
A não ser pequenas diferenças secundárias, os relatos de Betty e
Barney coincidiram: na verdade eles não haviam conseguido sair com o carro do local rapidamente.
Os dois tinham ficado paralisados e foram levados para o interior do UFO por criaturas parecidas
conosco – a não ser pelos seus enormes olhos. Eles tinham altura mediana e se comunicavam por
telepatia. Apenas um dos seres – o que parecia ser o líder – tinha capacidade de falar. O
curioso é que ele utilizava o inglês e foi o responsável por todas as
informações que o casal obteve durante a abdução. Mas eram os olhos das criaturas que mais
chamavam a atenção. Tanto Barney quanto Betty diziam que aqueles olhos eram sinistros. Betty os
descreveu como "semelhantes aos olhos de gatos" e Barney, por sua vez, disse que se
"alongavam chegando quase aos lados da cabeça, parecendo que o seu campo visual era mais
amplo que o nosso; e isto me inquietava".
Os dois foram submetidos a uma série de exames clínicos, entre os
quais introduziram uma agulha no umbigo de Betty. Nessa hora Betty começou a se desesperar por
causa da dor lacerante que sentiu. Imediatamente, o ser que parecia ser o líder colocou sua mão
direita sobre a cabeça de Betty. A dor de Betty Hill desapareceu em poucos segundos. Depois dos
exames, as criaturas interrogaram o casal sobre algumas noções humanas como "tempo", "velhice",
etc. Num dado momento, Betty perguntou para o "líder" de onde eles eram e ele mostrou um mapa
estelar para Betty. A criatura perguntou para ela se era capaz de apontar onde estaria nosso
sistema no mapa. Betty respondeu que não. As criaturas chegaram a dar um livro para Betty (livro
que na última hora lhe foi roubado). Finalmente o casal foi devolvido na estrada. Quando eles
ouviram o segundo zumbido, já estavam dentro do carro, dirigindo na estrada, e o UFO havia
decolado e desaparecido. Sobre a decolagem, Betty Hill se lembrou como foi numa das hipnoses.
Sua descrição foi a seguinte: "Quando a nave decola, estava rodeada por um halo de luz. Quero
quero dizer, podia se ver a silhueta da nave, dentro da luz. Era como uma massa rodopiante
vermelho-laranja e logo que a nave decolou, a luz desapareceu, apagou".
Após várias sessões de hipnose, Betty Hill conseguiu reconstruí-lo
desenhando. Inicialmente não foi possível determinar se o mesmo era um mapa estelar real, pois
não apresentava a menor similaridade com o que tínhamos de conhecimento sobre astronomia na
época. Porém, vários anos após o incidente, com a evolução da astronomia e a divulgação de novas
cartas celestes, a professora Majorie Fish conseguiu descobrir que o desenho de Betty Hill era
realmente um mapa estelar extremamente preciso. Ele contém a constelação Retículo que se situa a
36 anos-luz de nosso sistema. Inclusive vale ressaltar que o estudo de Majorie Fish sobre o mapa
de Betty Hill foi exaustivamente confirmado por diversos astrônomos de renome. Nossa astronomia
não tinha esse conhecimento na época da abdução do casal Hill. Para dar download no mapa
estelar, clique com o mouse em MAPA DE BETTY
HILL (arquivo JPG, com 39 kb).
Mas as experiências
insólitas não terminaram para os Hill com o seqüestro. Depois da abdução, eles viveram situações
estranhas, algumas delas aparentemente parapsicológicas, e que foram estudadas acuradamente e
divulgadas pelo doutor Berthold E. Schwarz. Segue algumas delas.
Seis semanas depois da abdução, Betty e Barney regressaram uma
noite à sua casa e entraram na cozinha. Surpresos, encontraram na mesa uma pilha de folhas secas
de alguma vegetação. No meio das folhas estava um par de brincos azuis. Betty estava usando
aqueles brincos na ocasião da abdução e nunca mais os tinha visto. Ela tem quase certeza que uma
das criaturas havia retirado seus brincos quando estavam examinando-a.
Numa tarde, cerca de três meses depois da abdução, Barney tinha
voltado cedo para casa. Pouco depois, ao chegar Betty, Barney descansava tranqüilamente. Betty
entrou na cozinha e encontrou no bar, sob um jornal, "um pedaço de gelo, que tinha a forma
como se alguém tivesse enchido um balde de água e depois o tivesse congelado". Betty notou
algumas marcas estranhas no gelo. Barney garantiu que não tinha trazido o gelo e nada sabia a
respeito. Resolveram deixar o gelo sob a torneira aberta, na pia, para derreter.
Barney Hill faleceu em 1969, aos quarenta e seis anos, de uma
hemorragia cerebral – a mesma causa da morte de seu pai. Mas os fatos inexplicáveis na casa não
acabaram. A própria Betty Hill relatou para o doutor Schwartz:
"As coisas andaram tão mal após a morte de Barney que minha
sobrinha e seu marido deixaram seu apartamento para vir morar comigo. Mas aconteceram coisas tão
misteriosas que ficaram amedontrados. Ouviam ruídas no meu quarto, quando não havia ninguém. Iam
investigar e não encontravam nada, mas sempre tinham a sensação de que havia alguém ali. Desciam
e ouviam um 'bang'. A porta da sala se abriu e eles viram um homem entrando em casa. Eles iam
até a sala para ver quem era o invasor e, inacreditavelmente, não tinha ninguém. Eu mesmo
era seguida por todo tipo de gente. Um deles era claro e gorducho. Encontrei-o diante de minha
porta e perguntei-lhe o que fazia ali. O homem disse que vendia assinaturas de revistas.
Ao lhe perguntar onde estavam as revistas, ele foi embora rindo".
Betty alugou um
dormitório de sua casa para uma mulher chamada Maureen Keating, que também contou que aconteciam
coisas estranhas como, por exemplo, vozes onde não havia ninguém.
Barney tinha um filho chamado Barney Hill Jr. e que era nascido de
um casamento anterior. Barney Hill Jr. serviu o serviço militar, na zona do canal do Panamá.
Várias vezes, entre as duas e as quatro da manhã, quando estava de plantão, aproximou-se um
indivíduo alto, com calça, camisa e jaqueta branca. Este homem tinha um sotaque estrangeiro
irreconhecível. Ele dizia se chamar Geist ("geist" em alemão é fantasma) e sempre interrogava
Barney Jr. sobre as experiências dos seus pais com os discos voadores. As autoridades militares
também interrogaram Barney Jr. sobre o assunto.
Em outra ocasião, Betty ouviu chamar alguém lhe chamando na porta.
Ela abriu e encontrou um homem vestido inteiramente de verde que dizia vir ler o contador de
gás. Uma semana mais tarde, apareceu outro com o mesmo traje que também afirmava ter que fazer a
leitura do contador de gás. Quinze dias mais tarde, novamente veio outro com o mesmo traje
efetuar a leitura. Quando chegou o recibo do gás, a fatura tinha discriminado "consumo
estimado". Betty chamou a companhia e perguntou o que estava acontecendo, pois como podiam
discriminar "consumo estimado" na fatura se tinham estado três empregados na sua casa
para fazer a leitura. O funcionário afirmou que nenhum encarregado de leitura havia sido mandado
aquele mês. Para surpresa de Betty, todos os encarregados usavam trajes azuis, nunca de cor
verde, e quem quer que esteve na sua casa, não era efetivamente da companhia de gás. Essas
"visitas estranhas" podem ter relação com os chamados MIB (homens de
negro).
Após a morte de Barney, Betty Hill avistou várias vezes luzes
estranhas no céu. Sempre que passava pelas portas de segurança de aeroportos, com detectores de
metal, os alarmes soavam – mesmo quando Betty não portava nada de metal. Ruídos e coisas se
mexendo sem que ninguém tocasse também aconteciam na casa de Betty. Como o doutor Schwartz
mencionou, afortunadamente a viúva Hill demonstrou ser uma pessoa bastante equilibrada e passou
por todas essas experiências sem ficar com seqüelas psicológicas. Em uma das entrevistas
concedidas por Betty Hill, ela chegou a dizer "ninguém no seu estado normal deveria entrar
numa nave extraterrestre". Sua própria vida após a abdução parece ser um argumento a favor
dessa afirmação...
Infelizmente, na manhã de 17 de outubro de 2004, Betty Hill
faleceu. Ela tinha 85 anos e estava lutando há mais de um ano contra o cancêr.
Reinaldo Stabolito é ufólogo e
Coordenador Geral do INFA

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