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Por Reinaldo
Stabolito

No fervor das circunstâncias, com UFOs sendo avistados em todo o
planeta, e temendo os rumos da situação, o Major-General Charles P. Cabell, diretor do Serviço
de Informação da Aviação Militar, deu ordens oportunas para que se fizesse um novo estudo da
questão UFO – trabalho que caiu nas costas do Capitão Ruppelt, que, após concluído, apresentou
os resultados para o substituto do General Cabell, o General-Major Samford.
O PROJETO BLUE
BOOK
Como resultado disso, foi criada uma agência especial para estudos
dos UFOs, a qual começou a funcionar sob direção do capitão Ruppelt, chamada de Projeto Blue
Book (Livro Azul). Ao longo da sua vida como projeto ativo, o Blue Book teria a oportunidade de
analisar interessantes observações e muitos casos que podem ser considerados clássicos da
ufologia. Claro, sempre mantendo uma postura cética e visando associar todos os fenômenos com
causas naturais e humanas. Em muitos casos, as explicações oficiais oferecidas chegavam a ser
uma atrocidade ao bom senso.
Só que os fatos e
incidentes ufológicos superavam as explicações dos responsáveis da Força Aérea. Com o grave
incidente de 1952, onde vários UFOs violaram o espaço aéreo de Washington, a CIA decidiu
intervir mais diretamente nessa questão. A CIA lançou um programa de investigação: formou um
grupo de cientistas renomados para que analisassem as provas que existiam sobre o fenômeno UFO.
Esse programa, ou "painel", era formado por:
01 – Doutor H. C. Robertson, professor de física
matemática do Instituto de Tecnologia da Califórnia (presidente da comissão – daí o nome
"Painel Robertson").
02 – Doutor Samuel A. Goudsmit, físico teórico e decano do
departamento de Física dos Laboratórios Nacionais de Brookhaven.
03 – Geofísico Lloyd V. Berkner, presidente da Associated
Universities, Inc.
04 – Doutor Luis W. Alvarez, físico especialista em
partículas, ganhador do prêmio Nobel e professor dessa disciplina na Universidade de
Berkley.
05 – Doutor Thornton L. Page, astrônomo e mestre da
Universidade John Hopkins.
Esta impressionante constelação de sábios reuniu-se durante dois
dias apenas para examinar uma seleção de meia-dúzia de casos fornecidos pelo projeto Blue Book.
Com esse número reduzido de casos, o Painel Robertson estabeleceu três tópicos como
conclusão:
01 – Não existem provas de nenhuma ação hostil no fenômeno
UFO.
02 – Não existem provas sobre a existência de "aparelhos
de uma potência estrangeira hostil em nenhum dos casos que foram analisados".
03 – Recomenda-se um programa educativo para informar ao
público sobre o caráter dos diversos fenômenos naturais vistos nos céus (meteoros, esteiras de
vapor, halos, balões, etc), com o objetivo de eliminar o "status de mistério" que o fenômeno
adquiriu.
Mas, a estas três recomendações, frutos de uma análise rápida,
superficial e precipitada de cinco cientistas de indiscutível competência, foi acrescentado um
quarto tópico secreto – a pedido dos representantes da CIA. Os representantes da CIA foram
doutor H. Marshall Chadwell, Mr. Ralph L. Clark e Mr. Philip G. Strong. Além desses
representantes da CIA, também estavam presentes na reunião que acabou estipulando um quarto
tópico secreto brigadeiro Garland (chefe do ATIC), tenente Coronel F. C. Durant e doutor J. A.
Hynek.
Este quarto tópico
secreto, imposto pela CIA, exigia um sistemático descrédito aos "discos voadores". O objetivo
deste descrédito consistia em reduzir o interesse do público pelo fenômeno.
A existência desta quarta cláusula do Painel Robertson foi
descoberta pelo professor James E. McDonald, físico atmosférico da Universidade do Arizona, em
Tucson. McDonald recebeu um convite do Secretário do Ar, Mr. Harold Brown, em 1968, para
consultar os arquivos secretos do Blue Book. McDonald foi, sem hesitar, para reforçar sua
opinião de que o fenômeno UFO não passava de fenômenos meteorológicos mal interpretados. Depois
de examinar detidamente os relatórios secretos, James E. McDonald não só mudou de opinião como
virou um verdadeiro mártir da teoria extraterrestre – uma verdadeira "pedra no sapato" do
programa de acobertamento ufológico.
Em suma, o grupo que formava o Painel Robertson não é o
responsável pelo descrédito que foi amplamente adotado pelo governo americano, mas a CIA que,
por pressão, armou toda a situação e introduziu o quarto tópico secreto ao Painel Robertson. Os
cientistas que faziam parte desse grupo estavam convencidos de verdade que o fenômeno UFO era
meros fenômenos naturais erradamente divulgados e interpretados. Foi uma análise rápida e
superficial de meia-dúzia de arquivos do Blue Book, provavelmente escolhidos "a dedo" por quem
buscava acobertar o fenômeno da opinião pública. A conclusão do Painel Robertson foi
provavelmente correta diante do que lhes foi colocado em mãos.
As conclusões negativas da Comissão com relação a veracidade do
fenômeno era tudo que a Força Aérea queria e deu força para as explicações do Blue Book que, em
muitos casos, chegava ser uma atrocidade ao bom senso. Apesar disso, recomendaram a continuação
das investigações do Blue Book, com o objetivo de obter mais informações que permitiria uma
melhor avaliação dos fatos.
As investigações continuaram durante anos. Em março de 1966, a
Junta Consultora da USAF lançou um informe especial do Comitê para uma revisão do Projeto Blue
Book. Tal comitê considerou tudo quanto se tinha dito anteriormente pelos diferentes projetos,
incluindo as determinações do Painel Robertson, de janeiro de 1953, o que lhe levou a determinar
que, depois de dezenove anos de presença, os UFOs não existiam. É interessante notar que o
próprio comitê detectou uma certa limitação no Blue Book: "É opinião do Comitê que o atual
programa da Força Aérea que trata das observações de UFOs esteve bem organizado, embora os
recursos que lhe designaram (um oficial, um sargento e um secretário) foram muito
limitados".
Foi feito um levantamento
dos resultados obtidos pelo Blue Book, em dezembro de 1952, no qual correspondiam ao 1021 casos
recebidos até então. O resultado foi:
18,51% – Balões
11,76% – Aviões
14,20% – Corpos Astronômicos
04,21% – Outros
06,84% – Radar (Sem explicação)
01,66% – Armadilhas (fraudes intencionais)
22,72% – Dados insuficientes
20,10% – Desconhecidos
O RELATÓRIO
CONDON
O Projeto Blue Book deu continuidade aos trabalhos de
investigações com a assessoria científica do doutor Hynek. No entanto, até aquele momento, o
fenômeno UFO não tinha tido realmente um tratamento adequado. O doutor Hynek, que já demonstrava
certa rebeldia, comentava com freqüência em pequenos círculos que a questão dos UFOs era motivo
de brincadeiras, porque os cientistas que lidavam com o assunto não prestavam atenção de fato
aos dados obtidos. Essa condição política de "não seriedade" no tratamento do fenômeno culminava
em explicações sem quaisquer critérios e, em muitos casos, eram frágeis, insustentáveis e até
atrozes. Obviamente que essa postura era reflexo da USAF, empregadora de tais cientistas, que
iria de qualquer modo desmoralizar os casos considerados, mesmo se dados como
legítimos.
O deboche era tão grande e a engrenagem da política de
acobertamento tão evidente, já com tentáculos no exterior, que a mídia chegava a ironizar o
trabalho do Projeto Blue Book, com declarações como: "Para cada 200 avistamentos de UFOs, a
USAF tinha 201 explicações" – um reflexo da pouca credibilidade nos trabalhos do Blue Book.
Diante dessa situação, a Força Aérea resolveu contratar uma comissão independente e civil para
analisar os resultados obtidos até então pelo Blue Book. Era a resposta óbvia diante da falta de
credibilidade que os projetos oficiais tinham para os cidadãos americanos e do mundo inteiro.
Assim, foi feito um contrato com a Universidade do Colorado, no qual foi doado cerca de 313.000
dólares, e que caberia ao doutor Edward U. Condon, por dezoito meses, realizar um estudo acurado
do material obtido no Projeto Blue Book.

Lamentavelmente, a esperança de uma investigação imparcial por
parte da comunidade científica iria converter-se em desilusão, já que o seio do Relatório
Condon (como acabou sendo chamado) seguiria o mesmo contexto político de "não seriedade" para os
dados. E isso ficou bastante evidente pelo fato do Relatório Condon apresentar, nos seus
resultados finais, somente os casos facilmente explicáveis como fenômenos naturais, ignorando
justamente aqueles casos que são inexplicáveis e fornecem fortes indícios da realidade do
fenômeno UFO.
A verdadeira medida do espírito que animou esta comissão da
Universidade do Colorado ficou bem refletida na afirmação que Robert L. Low deu, em 09 de agosto
de 1966: "A fraude seria, na minha opinião, descrever o projeto de forma que, para o público,
aparecesse um estudo totalmente objetivo, enquanto que, diante a comunidade científica,
apresenta-se a imagem de um grupo de descrentes fazendo o possível por serem objetivos, mas
tendo quase nenhuma esperança de encontrar um disco voador". O fato é que a comissão da
Universidade do Colorado não escondeu, desde o início de seus trabalhos, a completa descrença
com o fenômeno. E isso comprometeu imediatamente os estudos, já que era óbvio que não seria
tolerado qualquer direcionamento para a realidade do fenômeno como uma possível presença
extraterrestre.
Os resultados finais da equipe de trabalho da Universidade do
Colorado foram objetos de notícias na imprensa diariamente. Como norma geral, os resultados
foram divulgados publicamente em diferentes notas de diversos jornais, sob títulos como: "A
CONCLUSÃO FINAL SOBRE A QUESTÃO DOS UFOS NOS ESTADOS UNIDOS – A Força Aérea conclui que não há
fenômenos extraterrestres". Os resultados do Relatório
Condon eram tudo o que a USAF precisava para pôr um fim definitivo nas investigações oficiais
públicas do fenômeno UFO: "Quarta-feira, o secretário da Força Aérea norte-americana, Robert
Seamans, anunciou o fechamento do Blue Book, porque não existiam provas que justificassem sua
prolongação, nem em interesse da ciência nem em razão da segurança nacional" (revista "La
Vanguardia", de 21 de dezembro de 1969).
Segundo um memorando da Força Aérea norte-americana, "os
fenômenos são apenas produtos da imaginação ou fenômenos atmosféricos e outros tipos de
aparelhos terrestres confundidos". Seamans comunicou que o Blue Book tinha estudado um total
de 12.618 casos e que só 701 podiam ser considerados desconhecidos. Ou seja: o Blue Book, com
todo o seu ceticismo, não conseguiu invalidar 701 casos. Mas mesmo assim a posição oficial foi
de negação! Paradoxalmente, 1968 e 1969 foram dois anos de grande atividade ufológica em escala
mundial... Talvez esqueceram de avisar para os UFOs que cientistas renomados da maior potencia
mundial afirmaram categoricamente que eles não existem!
De qualquer forma, estava sepultado o assunto nas esferas
oficiais, pelo menos temporariamente. Ponto para a política de acobertamento, já plenamente
efetiva nos EUA e em boa parte do mundo. Junto do Blue Book estavam também enterradas as chances
de surgir outro projeto oficial de pesquisa do fenômeno UFO. Agora, o assunto seria tratado
sempre – e somente – sigilosamente.
Reinaldo Stabolito é ufólogo e
Coordenador Geral do INFA
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