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Por Reinaldo Stabolito

DOS EUA PARA O MUNDO: NÃO AOS UFOS!

           Em suma, basicamente a política oficial norte-americana é de negação total do fenômeno UFO em caráter público. E esse procedimento foi importado por todos os países, principalmente os aliados após o término da Segunda Grande Guerra. Enquanto vitoriosos da guerra, os Estados Unidos passaram a ser a referência máxima mundial, inclusive para o Brasil.

          O Brasil também teve projetos oficiais de pesquisas ufológicas. Já 1952, o coronel-aviador João Adil de Oliveira fora para os EUA receber instruções militares sobre o assunto de seus colegas. De volta ao Brasil, passou a fazer diversas conferências para os militares sobre a questão UFO. Na época ele era chefe do Serviço de Informações do Estado Maior da Aeronáutica. Num momento único e sem precedentes, 1954, o coronel-aviador reuniu vários militares e a imprensa no Auditório da Escola Técnica do Exército, no Rio de Janeiro, e discursou sobre o fenômeno UFO de forma aberta e em caráter oficial. Simplesmente, por alguma razão, Oliveira não trouxe consigo, dos EUA, o ranço de acobertamento que imperava naquele país.

           Mas somente em 1969 foi criado o primeiro projeto de pesquisas ufológicas: SIOANI – Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados – no 4º Comando Aéreo Regional (COMAR), na Praça Prof. Oswaldo de Vincenzo, nº 200, no bairro do Cambuci (SP). Quem comandava o SIOANI era o major brigadeiro José Vaz da Silva, que na época era comandante do 4° COMAR.

           O SIOANI passou a investigar muitos casos ufológicos ocorridos naquela época e era formado por militares e civis que se encontravam espalhados em diversas bases aéreas e aeroportos. Foi uma iniciativa única onde havia uma colaboração mútua entre pesquisadores militares e civis, que também podiam participar das reuniões – situação similar ao que ocorre hoje no Chile. Esse é um dado interessantíssimo, já que estávamos em plena época de ditadura militar. O SIOANI chegou a emitir boletins informativos restritos, sendo que posteriormente dois foram tornados públicos pelo editor Ademar José Gevaerd, em várias edições da Revista UFO.

           O primeiro boletim, de março de 1969, explicitava o estatuto e as diretrizes do organismo. Já no segundo boletim, de agosto de 1969, estava registrado a descrição de 58 casos ufológicos ocorridos no nosso país. Nesses documentos estão casos ufológicos de grande envergadura, registrado pelos militares. Alguns, inclusive, de naves pousadas e com a presença de supostos tripulantes.

           Em 1972, as atividades do SIOANI foram encerradas. Não se sabe a razão do encerramento, mas é possível que ocorreu com a mudança do governo no Brasil. Como sempre ocorre, cada novo governo que assume acaba promovendo mudanças estruturais drásticas em diversas áreas. E essas mudanças podem ser a razão da não continuidade do SIOANI. Outras hipóteses levantadas que também podem ter gerado a extinção da organização é o desinteresse do próprio COMAR na continuidade, bem como pode ter havido pressão externa para a sua eliminação. De qualquer forma, o engenheiro Claudeir Covo, presidente do INFA, esteve no COMAR posteriormente com o ufólogo Osmar de Freitas, presidente do GEONI, e obteve a informação que realmente o SIOANI foi desativado e que todo o material produzido pelo organismo foi enviado para o alto comando em Brasília.

           O próximo projeto oficial brasileiro de pesquisas ufológicas que se tem notícia é a Operação Prato. Em 1977 ocorreu uma onda ufológica sem precedentes na região Amazônica, atingindo principalmente as pequenas comunidades litorâneas e rurais. Tratava-se do fenômeno que ficou vulgarmente conhecido como Chupa-Chupa: objetos aéreos desconhecidos que perseguiam os moradores locais e atingia-os com potentes feixes de luz. Para os moradores locais, esses objetos sugavam o sangue quando atingiam as pessoas com seus feixes luminosos.

           A situação foi tão contundente que começou a afetar a economia local, pois os pescadores não tinham mais condições de exercer sua atividade por causa dos ataques do "Chupa-Chupa". Com a população alarmada, o prefeito de Colares, uma ilha do município de Vigia, litoral do Pará, acabou sendo obrigado a enviar um ofício para o COMAR. No ofício, o prefeito descrevia que a situação estava fora de controle e toda a população se encontrava em estado de histeria. De fato, os moradores não dormiam mais a noite por causa do fenômeno. As pessoas se reuniam em volta de fogueiras para soltar fogos de artifícios para tentar afugentar os UFOs.

           Com isso, o chefe da Segunda Seção do COMAR, coronel Camilo Ferraz de Barros, designou o então capitão Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda Lima para o comando de uma operação oficial a fim de investigar o fenômeno. Nomeada de "Operação Prato" pelo capitão Uyrangê, a operação correspondeu basicamente no deslocamento de uma força-tarefa aos locais de incidência do fenômeno a fim de documentar toda a situação. Vale ressaltar que toda a Operação Prato foi realizada em caráter secreto e só se tornou público por Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima que, após dar baixa no serviço militar, deu uma entrevista histórica para o Editor da revista UFO, Ademar José Gevaerd, e para o co-editor Marco Petit. Esse quadro parece ser uma constante no Brasil, tal qual é feito nos Estados Unidos: publicamente o fenômeno UFO é ignorado totalmente, mas secretamente é alvo de pesquisa e documentação oficial.

          Conforme as declarações de Uyrangê, a Operação Prato produziu inúmeros relatórios descrevendo vários incidentes com o fenômeno, centenas de fotos de UFOs e, ainda, vários registros em filme, num total de mais de 16 horas. Mas todo o material, após o encerramento da operação, foi sumariamente enviado pelo COMAR para o então Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Nucomdabra), precursor do atual Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra). No entanto, quatro meses após o início a Operação Prato foi finalizada. O resultado e os desmembramentos da operação não são conhecidos, pois Uyrangê era apenas um capitão e não participava das decisões do alto comando em Brasília. De qualquer forma, sua atuação foi primordial para acalmar os ânimos da população diante do fenômeno UFO.

           Depois da Operação Prato, não temos mais notícia de projetos oficiais específicos para investigar o fenômeno UFO, mas sabemos que todos os casos ufológicos são enviados para o Comando de Defesa Aéreo Espacial Brasileira (Comdabra), que é o centro nervoso das operações de defesa da soberania aérea do Brasil.

           Em seu programa "Circuito Night And Day", na Rede TV, exibido no dia 19 de janeiro de 2002, o apresentador e deputado federal Celso Russomano entrevistou o Major Brigadeiro José Carlos Pereira, na época comandante do COMDABRA. No excelente programa, Russomano mostrou as instalações do COMDABRA e quais são os procedimentos realizados nas diversas ações de vigilância e interceptação de vôos não autorizados ou não identificados coordenados pelas forças militares.

           Num dado momento, Russomano acabou levantando a questão UFO para o Major Brigadeiro José Carlos Pereira. Hesitando inicialmente, o Major Brigadeiro acabou confirmando que o COMDABRA é responsável por todos assuntos envolvendo o espaço aéreo brasileiro, inclusive os casos de UFOs – os quais tem um formulário padrão para ser documentado. Chamado de "Tráfego Hotel" pelos militares, Russomano acabou conseguindo fazer o Major Brigadeiro mostrar um grande volume encadernado onde estariam registrados os casos ufológicos de 2001. Eram mais de noventa casos, sendo que o Major Brigadeiro só exigiu que o conteúdo não fosse aberto diante das câmeras, pois eram documentos secretos militares.

           Mas Claudeir Covo, presidente do INFA, alerta que o COMDABRA é apenas uma espécie de depósito oficial de casos ufológicos, pois tudo indica que nenhum dos casos é alvo de alguma investigação. E esse quadro se deve basicamente a situação econômica do Brasil. Com toda a máquina militar sucatada por falta de verbas públicas, os militares não têm condições de destinar parte de seu orçamento anual para a investigação oficial dos casos ufológicos que documenta. Mas é um fato: a Força Aérea documenta com formulário próprio padrão todos os casos ufológicos que ocorrem no espaço aéreo brasileiro, demonstrando que a presença UFO é literalmente alvo de atenção oficial, porém em caráter secreto! Qualquer semelhança com os Estados Unidos pode não ser mera coincidência...

           E não deve ser mesmo! A comunidade ufológica brasileira tem conhecimento de dois casos ocorridos no Brasil em que os Estados Unidos foram acionados. Um caso aconteceu na noite do dia 04 de novembro de 1957, no Forte Itaipú, em São Vicente, litoral Sul de São Paulo. Dois sentinelas sofreram queimaduras graves provenientes de um UFO que teria se posicionado entre eles a pouca altura. Na época, as altas autoridades brasileiras pediram auxilio à Embaixada norte-americana em suas investigações. Rapidamente, os Estados Unidos enviaram pesquisadores que auxiliaram os oficiais do Exército brasileiro na operação de apuração dos fatos.

           Outro caso em que ficou evidente a presença dos Estados Unidos foi o famoso Caso Varginha. Antes do dia 20 de janeiro de 1996, muitas pessoas avistaram diversas luzes estranhas no céu do sul de Minas. E militares brasileiros informaram os pesquisadores do caos, em caráter sigiloso, que militares norte-americanos estavam rastreando esses UFOs através de satélites. O fato é que tudo indica que os americanos acompanharam e participaram, direta ou indiretamente, de todas as operações de rastreamento, resgate, captura e acobertamento dos fatos. O incidente de Varginha fez com que até o Secretário de Estado americano do governo Clinton, Warren Christopher, e o administrador geral da Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA), Daniel Goldin, viessem ao Brasil nos meses seguintes. Provavelmente oficializar acordos beneficiando o Brasil, que permitiu que os Estados Unidos se envolvessem diretamente nesse caso ufológico de suma importância.

           Está mais do que na hora de nos questionar e convidar nossas autoridades brasileiras a se questionarem se o tratamento oficial atual para a questão UFO continua sendo a melhor forma do governo brasileiro agir. Inclusive se atende realmente aos interesses do nosso país.

Reinaldo Stabolito é ufólogo e Coordenador Geral do INFA

MANOBRAS DE ACOBERTAMENTO - PÁGINA 02


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