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Por Claudeir Covo e Paola
Lucherini

Em 17 de maio de 1952, a extinta revista "O Cruzeiro", trazia um
encarte "Extra" com o título "Disco Voador na Barra da Tijuca". O texto informava: "O
Cruzeiro apresenta, num furo jornalístico espetacular, a mais sensacional documentação jamais
conseguida sobre o mistério dos discos voadores. O estranho objeto veio do mar, com enorme
velocidade, e foi visto durante um minuto, de cor cinza-azulado, absolutamente silencioso, sem
deixar rastros de fumaça ou de chamas. Relato completo da fascinante aparição na Barra da
Tijuca". Reportagem de Ed Keffel e João Martins. Mais abaixo, do
lado esquerdo das fotos de Ed Keffel e João Martins, de terno e gravata, o texto informava:
"Fantástico mas real! O disco voador sobrevoando a Pedra da Gávea, vendo-se a sua parte
inferior".
A edição saiu em 08.05.52, mas a data da capa constava 17.05.52, o
que é comum, até nos dias de hoje, lançar as revistas nas bancas com data futura.
Além dessa edição, a revista "O Cruzeiro" escreveu sobre esse caso
por diversas vezes, como em 02.11.54, 16.11.57, 31.10.59 e 12.12.73. Jornais e revistas ao redor
do mundo também publicaram o conteúdo da revista "O Cruzeiro". Diversos boletins ufológicos
também publicaram o fato, tais como a APRO e a Inforespace. Em outras palavras, as fotos de Ed
Keffel e João Martins talvez foram as mais publicadas em toda a história da
Ufologia.
O artigo informa que, em 07.05.1952, entre 16:00 e 16:30 horas, os
repórteres Ed Keffel e João Martins estavam na Barra da Tijuca fotografando casais apaixonados.
Em 12.12.73, a própria revista "O Cruzeiro, em um artigo escrito por Júlio Bartolo, informava
que os repórteres estavam na Barra da Tijuca localizando um estrangeiro que se parecia com
Hitler. Um outro artigo menciona que eles estavam atrás do foragido Luis Carlos Prestes. Aí já
começam as divergências sobre este caso, sobre o que eles estavam fazendo no
local.
Saíram por volta das 12:00 horas. Por volta das 13:00 horas,
atravessaram a pequena laguna no barquinho "Piaba". Ed Keffel e João Martins chegaram no Bar do
Compadre, de propriedade de Antônio Teixeira, na Ilha dos Amores, na Barra da
Tijuca.
Almoçaram camarões. Por
diversas vezes, se levantaram para acompanhar as acrobacias da esquadrilha da Força Aérea
Brasileira. Depois sentaram na areia e ali ficaram conversando. Por volta das 16:00 horas, em um
certo instante, um disco voador apareceu vindo do mar. João Martins pediu para o Ed Keffel bater
as fotos. A primeira foi contra o Sol. A segundo acima do morro Dois Irmãos. A terceira na Pedra
da Gávea. A quarta sobre o morro que desce para o mar, onde tinha uma palmeira. A quinta e
última, o objeto retorna para o mar, tendo no fundo as ilhas Alfavaca e Pontuda.
Plotando isso em um mapa (ao lado), podemos verificar que o objeto
fez um círculo quase que perfeito ao redor dos dois repórteres .Veio do mar e retornou para o
mar. Era totalmente silencioso. Tudo durou aproximadamente um minuto.
Eles ligaram para a
redação e informaram o fato. Ainda procuraram por testemunhas, mas nada. O pescador Claudionor,
o Nonô, nada vira. O dono do bar, também. Dois casais que ali estava comendo camarões também
nada viram. Voltaram correndo para a redação. João Martins dirigiu o carro a "mil por hora".
Esperaram uma "eternidade", aguardando a revelação do filme. Os diretores Leão Gondim de
Oliveira e Accioly Netto, José Amádio, Milton D’Ávila, Ari Vasconcelos, a turma do laboratório,
todos compartilhavam da nossa ansiedade. E quando por fim o filme foi tirado do fixador, e lá na
película surgiram as imagens do disco, o entusiasmo foi geral. A imediata ampliação dos
negativos veio confirmar nosso relato, sem possibilidade de dúvidas. Até o adido da Aeronáutica
da embaixada americana, o coronel Hughes, estava aguardando a revelação. Finalmente lá estava o
disco voador documentado em cinco fotos. Mandaram parar as máquinas e fizeram rapidamente um
encarte extra. Não houve tempo para mudar a capa.
A notícia explodiu rapidamente. Em 08.05.52, as rádios e TVs
noticiavam para todo o Brasil o feito dos repórteres. A redação de "O Cruzeiro" foi
invadida.
Veio o ministro da
Guerra, gen. Ciro do E. S. Cardoso, o gen. Caiado de Castro, chefe da Casa Militar da
Presidência, os majores Artur Peralta e Fernando Hall, o cap. Múcio Scevola e o técnico em
fotografias Raul Alfredo da Silva, todos do Estado Maior da Aeronáutica.
Assim a notícia foi para as bancas de jornais. A revista esgotou
rapidamente. Nos dias seguintes, alguns Oficiais da Aeronáutica, chefiados e orientados pelo
Cel. João Adil de Oliveira, estiveram o local e os repórteres fizeram as fotos, e com o auxílio
de dois modelos, tentaram reproduzir a mesma seqüência de Keffel.
MILITARES À PAISANA FAZENDO
ANÁLISES DE SOMBRA NO LOCAL DAS FOTOS

Nos dias seguintes, alguns Oficiais da Aeronáutica, chefiados e
orientados pelo Cel. João Adil de Oliveira, estiveram o local e os repórteres fizeram as fotos,
e com o auxílio de dois modelos, tentaram reproduzir a mesma seqüência de Keffel.
Se as fotos do Caso Barra da Tijuca deram a volta ao mundo, também
o mesmo aconteceu com a veracidade das mesmas. Muito se questionou as divergências das sombras,
no objeto e na paisagem. O próprio diretor Leão Gondim de Oliveira contratou o perito Carlos de
Melo Éboli, da Polícia Técnica, para a elaboração de um laudo técnico. Realmente, as sombras
eram divergentes.
Em janeiro de 1955, a
revista Ciência Popular no 76, divulgou que as fotos eram falsas. Em outubro de 1957, na no 109,
a mesma revista divulgou novamente a mesma coisa (enviado por Rodolfo Heltai). O texto foi
publicado assim:
"Aqui no Brasil, 'O Cruzeiro', sem favor, uma das mais
esplêndidas revistas no gênero, inclusive pelo seu quadro de excelentes jornalistas, durante
várias semanas, também explorou tais fotografias, desta feita obtidas na Barra da Tijuca por
dois de seus repórteres, os Srs. João Martins e Ed Keffel. Fotografias completamente
falsificadas, como afirmamos em nossa edição de janeiro de 1955 (Ciência Popular nº 76), e agora
tornamos a declarar".
"Para nós, 'O Cruzeiro', após despertar a curiosidade de seus
inúmeros leitores, iria mostrar como conseguiria falsear a verdade, e assim pôr um ponto final
nessa mania de 'discos voadores'. Mas aconteceu o imprevisto, é o que supomos, com a entrada em
cena de alguns Oficiais da Aeronáutica, exatos cumpridores de seus deveres, magníficos pilotos,
mas jejunos inteiramente em conhecimentos científicos".
"Para esses oficiais, a reportagem de 'O Cruzeiro' calhara às
mil maravilhas. E eles deitaram conferências, deram entrevistas e até foram à Campinas recolher
um estanho desconhecido aqui na Terra, segundo parecer de um 'químico' campineiro, que com as
asnices que proferiu apenas patenteou nada entender de sua especialização. Só assim se explica
que tenha 'O Cruzeiro' permanecido num embuste tão grosseiro, que não o perceberam apenas os
tolos e os incultos".
"Temos plena convicção do que afirmamos, porque essas
fotografias falsificadas de 'O Cruzeiro' foram feitas na presença de amigos nossos, pessoas de
grande valor moral, e que os repórteres consideraram simples pescadores. Os nossos amigos lá
estavam na Barra da Tijuca, naquela ocasião, não a pescar, mas satisfazendo um
hobby".
A ILUMINAÇÃO ESTÁ
DIVERGENTE:

O OBJETO NÃO APRESENTA
DISTORÇÃO:

Em dezembro de 1981, em correspondência com Carlos Alberto Reis,
William H. Spaulding, diretor da GSW (Ground Saucer Watch), informou que já tinha analisado as
fotos de Keffel e que as sombras eram completamente divergentes, principalmente na quarta foto,
onde aparece uma palmeira, sendo que o ambiente foi iluminado da direita para a esquerda, quase
que de frente, com o Sol ligeiramente deslocado e o objeto foi iluminado da esquerda para a
direita. A GSW também descobriu que o ambiente apresenta distorção atmosférica (está longe) e o
objeto não (está perto). Conclusão: foi usado um modelo de aproximadamente 40 centímetros de
diâmetro. Carlos Reis publicou essa matéria na revista Planeta, nº 138-C, em março/84. Novamente
a polêmica voltou à baila, tendo de um lado os defensores da autenticidade e do outro os
defensores da fraude.
A FOTO DE KEFFEL E UM
MODELO DE CLAUDEIR COVO:
 Para visualizar melhor o contraste com a sombra, temos
novamente a foto de Keffel comparada com o modelo na posição correta, sem sombra. O mesmo
pode ser observado numa foto acima nesta página, onde um militar à paisana segura uma tampa
de panela na posição correta.
DIVERGÊNCIA NAS
SOMBRAS:
 A seta nas duas fotos de Keffel demonstra a direção dos raios de sol para gerar a
sombra no "UFO". O sol estaria dentro d'água? Repare que na terceira foto, com a maquete de
Claudeir Covo, não ocorre nenhuma sombra no objeto.
Na quinta e última foto também a sombra é completamente divergente
no que diz respeito à posição real em que está o Sol. A seta mostra claramente que para gerar a
sombra no objeto, o Sol deveria estar dentro do Oceano Atlântico. Com o modelo posicionado de
forma correta, não há sombras no objeto. Importante ressaltar novamente que a foto com a maquete
foi feita no mesmo horário, no mesmo dia e no mesmo mês, 32 anos depois, para ter certeza de ter
o Sol exatamente na mesma posição que Ed Keffel e João Martins bateram as suas
fotos.
No meio dessa polêmica, o ufólogo Claudeir Covo preparou um
modelo, em escala, e viajou para a Barra da Tijuca, em 07.05.84. O local estava bem diferente,
mas os referenciais ainda estavam lá. Trinta e dois anos depois, no mesmo mês, no mesmo dia, no
mesmo horário, no mesmo local e na mesma posição, para ter certeza do Sol estar na posição
correta. Realmente as sombras geradas pela luz do Sol no ambiente e no objeto são divergentes.
Primeiro foi fotografado o ambiente, depois foi sobreposta a imagem do objeto, ou vice-versa. O
objeto, provavelmente, foi iluminado por iluminação artificial.
Assim, Claudeir iniciou um longo estudo, analisando não só as
sombras divergentes, mas o que deve ter acontecido desde que João Martins e Ed Keffel tiveram a
idéia de "fabricar" tais fotos. Pessoas do laboratório fotográfico da revista "O Cruzeiro"
informaram que a dupla passou aproximadamente um mês, indo e voltando à Barra da Tijuca, bolando
como iriam "fabricar" tais fotos. Tudo isso com o conhecimento da diretoria. O João Martins é
que foi o mentor desse plano.
Muitos disseram que a revista estava com a vendagem muito baixa e
por isso resolveram lançar essa "bomba", para aumentar a vendagem. Outros disseram que "O
Cruzeiro" fez a brincadeira para depois mostrar a realidade ao público, mas como alguns oficiais
da Aeronáutica entraram e endossaram a autenticidade das fotos, a revista resolveu assumir a
publicação na íntegra, da forma que foi publicada. O próprio João Martins disse a um amigo que
tudo foi uma brincadeira e nunca imaginou a grande repercussão do caso.
Eng. Claudeir Covo é ufólogo e
presidente do INFA Paola Lucherini Covo é diretora do
INPU (www.inpubr.com.br) e do INFA
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