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Por Claudeir Covo e Paola
Lucherini

Ed Keffel tinha na sua máquina fotográfica, uma Rolleiflex, um
filme com doze poses. Nas seis primeiras poses, Keffel fotografou dois elementos do Hotel onde
estava residindo (duas fotos), uma paisagem (uma foto), um aspecto de um companheiro da redação
(uma foto), um casal de namorados (uma foto) e o dono do restaurante (uma foto). Na sétima foto,
batida pelo dono do bar, no local onde apareceu o "disco voador", aparecem os dois repórteres
almoçando (SIC). Nas cinco últimas fotos aparece o "disco voador".
Para começar entender a trama, é necessário ver as fotos sem
cortes. As fotos foram publicadas, diversas vezes, com cortes. Em quase todas as cinco fotos,
temos da metade para baixo algo conhecido e da metade para cima o céu limpo com o "disco
voador". Isso é típico de fotomontagens. A grande maioria das fotomontagens ufológicas utiliza a
metade da foto de cima com o céu limpo e sem nuvens:
| PRIMEIRA
FOTO: |
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SEGUNDA
FOTO: |
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| TERCEIRA
FOTO: |
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QUARTA
FOTO: |
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| QUINTA
FOTO: |
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Como passaram praticamente um mês estudando o local, bem como
fizeram várias experiências com modelos em laboratório, é muito provável que antes fotografaram
o modelo e depois foram para o local fotografar o ambiente. Como foram diversas vezes ao local,
provavelmente estavam aguardando um dia propício, sem muitas nuvens no céu.
João Martins, em suas reportagens, sempre utilizava os veículos da
empresa, com motorista próprio. No dia que Keffel fez as fotos do "disco voador", eles estavam
com o carro do João Martins. Parece que aqui eles queriam o menor número de
testemunhas.
Alguns militares da Aeronáutica utilizaram um modelo e uma tampa
de panela, e foram no mesmo local onde Keffel fez as fotos. Queriam reproduzir as cinco fotos em
um minuto, atirando o modelo para o alto. Ora, não conseguiram absolutamente nada, pois se João
Martins e Ed Keffel tivessem jogado um modelo para o ar, para assim fotografar, as sombras
estariam todas corretas e isso não aconteceu. Por outro lado, mesmo sendo o local um tanto
quanto ermo, haviam testemunhas no local, que certamente iriam por a "boca no mundo", após a
publicação das fotos.
Em seus estudos, os militares falharam em identificar as
divergências nas fotos 4 e 5. Nas fotos 1, 2 e 3, as sombras praticamente estão corretas. Também
falharam em querer jogar um modelo para o ar, e em um minuto, sem o objeto atingir o chão,
reproduzir as cinco fotos iguais as de Keffel (SIC). Isso só seria possível se o modelo fosse
teleguiado (ou fosse algum bumerangue vivo). Mas, do ponto de vista técnico, o erro mais
gritante foi calcular a distância do objeto em cada uma das fotos de Keffel. UM TREMENDO
ABSURDO.
| PRIMEIRA
FOTO: |
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SEGUNDA
FOTO: |
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| TERCEIRA
FOTO: |
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QUARTA
FOTO: |
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| QUINTA
FOTO: |
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Esse estudo da FAB poderia até ser interessante, se não fosse um
pequeno detalhe: QUAL O DIÂMETRO DO DISCO VOADOR? Isso a revista "O Cruzeiro" e nem a FAB nunca
divulgaram. E nem poderiam, pois nas fotos do Keffel não temos elementos técnicos de referência
para calcular o diâmetro, a distância e nem a altura.
| VALORES
CALCULADOS PELA FAB |
| FOTO |
DISTÂNCIA EM
METROS |
ALTURA EM
METROS |
| Primeira |
1.500 |
490 |
| Segunda |
2.000 |
930 |
| Terceira |
1.200 |
940 |
| Quarta |
1.100 |
720 |
| Quinta |
3.000 |
580 |
Calcularam corretamente a
inclinação do Sol em relação à linha do horizonte (nível do mar), de 27 graus e 30 minutos, mas
na hora de desenhar a perspectiva, cometeram alguns erros, principalmente na quinta
foto.
A própria revista "O Cruzeiro", talvez para chamar a atenção das
pessoas da FAB que fizeram os cálculos e as perspectivas, fez questão de publicar, somente na
quinta foto, o desenho em cima da foto. Os outros desenhos foram publicados separados das
fotos. É só comparar a sombra no desenho e a sombra na imagem do objeto. Qualquer leigo poderia
perceber esse grave erro. Não é necessário ser um especialista em fotos para ver isso. Também é
interessante verificar a foto 02 (desenho), onde mostra a posição real do Sol:
 DESENHO DA FAB Sol na posição errada |
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 DESENHO DE CARLOS ALBERTO REIS Sol na posição certa |
Continuando o raciocínio para tentar entender o que realmente
aconteceu, ou seja, como a trama foi armada, devemos voltar novamente às 12 poses do filme de Ed
Keffel. No nosso entendimento, um fotógrafo profissional que se preze, não sai por aí
fotografando coisas particulares com um filme de propriedade da empresa para qual trabalha. Foi
o que aconteceu.
| FILME
DE PROPRIEDADE DA REVISTA "O CRUZEIRO" |
| NEGATIVO
Nº |
O QUE FOI
FOTOGRAFADO |
| 01 |
Um elemento do
hotel onde Keffel estava residindo |
| 02 |
Outro elemento
do hotel onde Keffel estava residindo |
| 03 |
Uma paisagem |
| 04 |
Um aspecto de um
companheiro da redação |
| 05 |
Um casal de namorados |
| 06 |
O dono do
restaurante (SIC) |
| 07 |
Os dois repórteres
almoçando (SIC) |
| 08 |
Primeira foto do suposto disco voador
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| 09 |
Segunda foto do suposto disco voador
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| 10 |
Terceira foto do suposto disco voador
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| 11 |
Quarta foto do suposto disco voador
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| 12 |
Quinta e última foto do suposto disco voador
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Se olharmos a vista aérea
(foto ao lado), o
local demarcado com um "X" é exatamente onde estavam Ed Keffel e João Martins. Esse local não está na frente
do restaurante, mas sim algumas dezenas de metros. Ora, porque eles bateram uma foto do dono do restaurante e
depois pediu para o dono bater uma foto deles? Sem sombras de dúvidas para chamar a atenção e também para ter
uma "prova" de que estavam lá. EM OUTRAS PALAVRAS, FORÇARAM A BARRA
.
Ora, se eles estavam lá naquele local, para fotografar casais de namorados,
como é que se explica que fotografaram somente um casal, sendo que as fotos anteriores foram batidas de coisas
particulares. Tais fotografias nunca foram publicadas, mas de qualquer forma, não são relevantes para elucidação
deste caso. O que é muito relevante são as cinco fotos do suposto disco voador, dentro da continuação do filme
disponível na máquina.
Hoje temos filmadoras de vídeo, com baterias e fitas com longa duração.
Antigamente não era assim. Quem chegou a filmar um casamento com uma película de 8 mm entenderá melhor o
seguinte raciocínio. Imagine que você tem que filmar um casamento que vai durar 30 minutos e você só tem uma
película de 3 minutos de duração. Você tem que filmar apenas 3 minutos, pegando as cenas mais importantes que
vão acontecer durante o casamento de 30 minutos. Para você conseguir distribuir corretamente e gravar as cenas
principais, você tem que saber todas as cenas do casamento com antecedência, para assim documentar os melhores
momentos.
Ed Keffel só tinha 5 negativos disponíveis em sua máquina fotográfica. Ele
tinha que saber com antecedência o que ia acontecer. E sabia. Estava tudo programado. Levaram mais de um mês
programando tudo. Primeira foto, a noiva entrando na igreja, ou seja, o suposto disco voador entrando em cena,
vindo do mar para o continente, depois o morro dos Dois Irmãos, depois a Pedra da Gávea, depois o terreno onde
tinha a palmeira e finalmente, último negativo, o suposto disco voador saindo de cena, retornando para o mar. Foi
tudo dividido perfeitamente. Em apenas 5 fotos conseguiram registrar o suposto disco voador de perfil, por cima,
por baixo e inclinado de lado. QUANDO A ESMOLA É MUITA, O SANTO DESCONFIA
.
Levando para o lado jocoso, para tudo isso acontecer, como sendo real, somos
obrigados a acreditar que o "piloto" do tal suposto "disco voador" telefonou para o Ed Keffel e o João Martins,
marcando um encontro com dia, hora, minuto, local e direção pré programada. CONCLUSÃO: UMA GRANDE
FARSA CRIADA.
RESUMO
Os diretores da revista "O Cruzeiro", tendo em vista que a vendagem estava
baixa e que também estava na moda o assunto disco voador, resolveram preparar uma "bomba", para assim
aumentar a vendagem. Posteriormente, iriam divulgar como a fraude foi realizada, mostrando assim que é muito
fácil fraudar fotos de discos voadores. Só que jamais iriam imaginar que os militares, comandados pelo cel. João
Adil de Oliveira, iriam se interessar pelas fotos e pior, acabaram dando autenticidade às mesmas. Assim, tendo em
vista os rumos que tomaram o caso, resolveram "sustentar" a grande farsa.
Infelizmente, a Ufologia brasileira começou com essa grande
fraude. Seria esse também o motivo da Ufologia não decolar?
Eng. Claudeir Covo é ufólogo e
presidente do INFA Paola Lucherini Covo é diretora do
INPU (www.inpubr.com.br) e do INFA
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