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Por Claudeir Covo, Paola
Lucherini e Tânia da Cunha

Em setembro de 1993, a Revista UFO nº 25, com chamada de capa,
publicou um artigo de autoria de Encarnación Zapata Garcia, com o título: "Será Essa a Temida
Seqüência das Mutilações de Animais?", envolvendo a pesquisa sobre o corpo de um homem que
foi achado morto, às margens da Represa Guarapiranga, em 29.09.1988. Um ano depois, a Revista
UFO nº 32, de setembro de 1994, voltava a publicar um novo artigo, de autoria da mesma
pesquisadora, com o título: "Caso Guarapiranga – Continuam as Discussões".
Esse artigo descreve o
corpo de um homem com muitas mutilações. Estava sem os olhos, sem as orelhas, sem os lábios, sem
o saco escrotal, sem o ânus e sem as vísceras internas. O corpo apresentava algumas perfurações
no ombro direito, no ombro esquerdo, na coxa esquerda, no abdômen e nos pés. Encarnación, após
examinar atentamente as fotos com uma lupa, conseguiu ter acesso ao Processo e entrevistou
várias pessoas, principalmente o médico legista que fez um laudo extremamente
detalhado.
Depois de um longo tempo de pesquisa, e após comparar com os casos
de mutilações de animais na Ufologia, ela chegou à conclusão de que aquele homem foi mutilado e
morto por tripulantes de discos voadores. O primeiro e único caso nessas
circunstâncias.
Em pouco tempo esse caso já estava em muitos "sites" da Internet.
Quando apareceu a onda do "chupacabras", novamente o caso voltou à baila, agora como
sendo um ataque desse "terrível" predador, que do ponto de vista do INFA e do INPU, são só
ataques dos nossos animais predadores, muito bem conhecidos, tais como cachorros domésticos,
cachorros do mato, jaguatirica, onça suçuarana, etc.. . Assim, como ataque de tripulantes de
discos voadores ou como ataque de chupacabras, o Caso Guarapiranga também foi publicado no
jornal Notícias Populares (27.04.97), na revista Extra (agosto/97) e na Revista JÁ, encarte do
jornal Diário Popular (20.07.97).
Outras estranhas ocorrências também foram levadas para a
casuística ufológica, sem uma pesquisa mais aprofundada. Um dos casos envolveu o agricultor
Olívio Correia, de Estância Velha, no Rio Grande do Sul, em julho/1995. Esse agricultor tinha
problemas mentais. Antes de retornar para casa, Olívio passou várias horas bebendo cachaça.
Completamente "mamado", ele foi para casa e deve ter desmaiado no meio da mata. Talvez tenha
entrado em coma alcoólica. Quando acordou, estava sem os dois globos oculares. A própria Polícia
verificou a hipótese de ataques por urubus. Depois verificou a hipótese de ter ocorrido roubo de
órgãos. A polêmica ficou maior ainda quando o Instituto Médico Legal de Porto Alegre concluiu o
laudo, informando que os olhos foram retirados cirurgicamente. Também foi cogitada a
possibilidade de magia negra. Posteriormente, o Dr. Marco Aurélio Becker, presidente do Conselho
Regional de Medicina, afirmou que não foi utilizada uma técnica médica. Assim, algumas pessoas
acabaram publicando que ETs haviam roubado os globos oculares do Olívio. Um ano depois, o
Inquérito Policial concluiu que os olhos do agricultor realmente haviam sido arrancados por
predadores naturais.
Um outro caso que também foi parar no meio ufológico, sem uma
pesquisa mais detalhada, como sendo um ataque de tripulantes de discos voadores, envolveu a
vítima Alzira Maria de Jesus, que em 24.06.1999, na cidade de Santa Izabel, relativamente
próxima de São Paulo, foi encontrada morta na cama, sem o rosto. Algumas autoridades disseram
que a pele, a carne, o nariz, a língua, os olhos e a orelha esquerda tinham sido retirados com
precisão cirúrgica. Os dois médicos legistas do Instituto Médico Legal, que assinaram o Laudo no
473/99, afirmaram que a senhora morreu de pneumonia bilateral e um choque séptico e que sua face
foi roída por roedores.
FOTOS DA VÍTIMA DO CASO
GUARAPIRANGA




Sempre que ocorre um apagão (black out), como o recente em
21.01.2002, sempre recebemos dezenas de telefonemas perguntando se pode ser interferência de
algum disco voador. Não temos dúvidas que o fenômeno ufológico é real e compete também aos
cientistas pesquisarem os fatos. Agora, achar que tudo que acontece é culpa dos tripulantes de
discos voadores é um enorme exagero. Em outras palavras, têm pessoas que vêem disco voador em
tudo e a realidade não é bem assim. Todo os seres humanos têm as suas limitações, mas dentro
dessas limitações, é muito importante pesquisar um caso profundamente, sem se envolver
emocionalmente. Muitos casos ufológicos do passado, hoje, sabemos que foram mal pesquisados, ou
que o pesquisador "forçou a barra" ou ainda deram um "jeitinho" de transformar em
casos ufológicos autênticos. Muitos pesquisadores dos Estados Unidos já declararam que diversos
casos de abduções de lá, nunca ocorreram e sim que o hipnólogo induziu a testemunha de que ela
foi abduzida. É lamentável, mas é verdade.
No Caso Guarapiranga em específico, a Imprensa divulgou muitas
coisas distorcidas. Devido às essas distorções, bem como os casos resumidos acima, resolvemos
reabrir este caso para tirarmos algumas dúvidas. Cansaram de publicar que o processo ficou
escondido por muito tempo do público. Cansaram de publicar que as fotografias eram secretas. E
muitas outras distorções. Não aconteceu absolutamente nada disso. O Processo é público e correu
como tantos outros nos trâmites da Lei. Como envolveu uma pessoa desconhecida, a Imprensa não
deu importância. É a mesma coisa com os recentes seqüestros relâmpagos. Foram centenas nos dois
últimos anos, mas a Imprensa só deu destaque para aqueles que envolveram pessoas
famosas.
Logo que o artigo foi publicado na Revista UFO, em setembro/1993,
tomamos conhecimento que a 25ª Delegacia de Polícia (DP) tinha concluído que o corpo de tal
pessoa havia sido mutilado por urubus e ratos. Ficou a dúvida. Tripulantes de discos voadores?
Ritual satânico? Auto mutilação (insano)? Ratos e urubus? Só uma investigação mais detalhada
poderia dar as respostas corretas.
Eng. Claudeir Covo é ufólogo e
presidente do INFA Paola Lucherini é ufóloga, presidente do INPU e secretária do INFA
Tânia da Cunha é ufóloga e diretora do INPU
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