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Por Claudeir Covo, Paola
Lucherini e Tânia da Cunha

Devido ter passado muitos anos, foi muito difícil localizar as
pessoas envolvidas e os documentos que envolveram o Processo, e que foram publicados, foram
totalmente "censurados". Se o Processo é público, porque os documentos foram censurados? Foram
censurados o endereço, os números do Boletim de Ocorrência (BO) e dos Laudos, o nome correto da
Represa (Billings), os nomes dos Delegados de Polícia, dos Peritos Criminais, etc. Veja foto do
laudo abaixo.
Na realidade, a primeira surpresa surgiu em 15.10.1997, no
Programa do Ratinho, quando o pesquisador e jornalista Saulo Gomes, que também investigou o Caso
Guarapiranga, anunciava em primeira mão, para todo o Brasil, que o caso ocorreu na Represa
Billings e não na Represa Guarapiranga.
Porque não houve pesquisa exatamente no local onde foi encontrado
o cadáver? Quem encontrou o corpo e em que circunstâncias? O que as testemunhas, a Polícia e os
Bombeiros encontraram no local?
LAUDOS CENSURADOS SEM
NECESSIDADE:

LOCAL EXATO ONDE OCORREU O
CASO (A seta indica onde o corpo foi exatamente achado)

Assim, iniciamos a nossa pesquisa. A vítima, o Sr. Joaquim
Sebastião Gonçalves, era chagástico (Mal de Chagas) e epilético. Tomava Gardenal, um remédio
muito forte. Lamentavelmente, bebia muito. Quando morreu, tinha 53 anos de idade. Ele não morava
próximo do local onde foi encontrado morto, mas sempre ia lá pescar. Estava desaparecido há três
dias. Quando chegou no local, no Jardim Recanto do Sol, no Bairro Bororó (ou Bororé), região do
Grajaú, São Paulo, SP, em um dos braços da Represa Billings, o Joaquim tirou a roupa, ficando só
de cueca. Colocou a roupa em uma maleta e escondeu no meio da mata. Atravessou um braço da
Represa Billings, uns 80 metros, e foi pescar do outro lado. Contornando o braço da represa, é
possível chegar ao outro lado por terra. Com a mistura do remédio com álcool, ele deve ter
desmaiado no meio da mata. Provavelmente teve um mal súbito. Sem ninguém para socorrer, o corpo
lá ficou à mercê dos ratos e dos urubus, em um período aproximado de 24 horas. Como ele ficou
"apagado", sem apresentar reações, conseqüentemente, ele foi atacado vivo e devorado
parcialmente pelos animais predadores.
Durante o dia, um garoto que estava caminhando na mata, caçando
passarinhos com um estilingue, deu de cara com o corpo coberto de urubus. Saiu de lá
rapidamente, contornou o braço da represa e avisou os moradores que tinha um homem morto do
outro lado, sendo devorado pelos urubus. Um dos moradores ligou para a Polícia e a 25a DP, de
Santo Amaro, compareceu no local, requisitando o Corpo de Bombeiros. Sob o comando do bombeiro
Sargento Guedes, os bombeiros Sargento Elifas e o Sargento Urban chegaram no local e
atravessaram o braço da represa com o auxílio de um barco. Como haviam vários curiosos, o Sr.
Antônio Gomes Filho, morador no local e que vive de aluguel de barcos para pescadores, emprestou
um barco para aquelas pessoas. Com uma lona e dois caibros, os bombeiros trouxeram o corpo de
Joaquim para o lado de cá, onde a Polícia fez diversas fotos. A Dna. Ana Joaquim Bevilaqua Rosa,
também moradora do local, acompanhou tudo de perto. Seu irmão, o Sr. Alcides Bevilaqua Joaquim,
também acompanhou tudo, mas de longe.
Essa ocorrência foi
registrada no BO nº 2.429/88, pelo Delegado de Polícia Dr. Oswaldo Borges Profeta. O Inquérito
Policial (IP) recebeu o no 381/88. À pedido do 25º DP, o Instituto de Criminalística (IC) foi
acionado. O Dr. Édson de Carvalho R. Viegas, Delegado de Polícia Titular do IC, designou o
Perito Criminal Dr. Arlindo de Camargo, o qual compareceu no local e emitiu o Laudo no
01.072/88. Esse Laudo apenas descreve o local e resumidamente os ferimentos no corpo de Joaquim,
mencionando que a "causa-mortis" seria definida pelo Instituto Médico Legal do Estado (IML).
Nesse Laudo foram anexadas sete fotos do corpo da vítima.
O Laudo de Exame de Corpo de Delito (Exame Necroscópico), de nº
645/88, assinados pelos médicos legistas Dr. Jorge Pereira de Oliveira e Dr. Cláudio Roberto
Zabeu, onde concluiu que a "causa-mortis" foi hemorragia aguda e múltiplos traumatismos.
Descreve também que há componentes de "causa-mortis" por estímulo vagal (nervo vago ou nervo
pneumogástrico). Descreve também que foi usado um instrumento cortante. Esclarece que a vítima
apresenta lesões com características de reação vital, ou seja, há componente tortura. É
sugestiva de "modus-operandi" a incisão em partes moles e em orifícios naturais mediante
aspiração. Tal quadro deve ser manifestação comportamental de insano ou outra hipótese: ritual
macabro. No final, os médicos legistas responderam quatro perguntas:
PERGUNTA 01 – Houve morte? RESPOSTA – Sim.
PERGUNTA 02 – Qual a causa? RESPOSTA – Politraumatismos e inibição vagal.
PERGUNTA 03 – Qual a natureza do agente, instrumento ou meio que a
produziu? RESPOSTA –
Agente mecânico.
PERGUNTA 04 – Foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo,
asfixia ou tortura, ou por outro meio insidioso ou cruel? RESPOSTA – Sim, quanto ao meio empregado.
O Laudo nº 10.456/88, do Exame Químico Toxicológico, analisou
vinte mililitros de sangue e teve o resultado negativo.
Dr. Marco Antônio Desgualdo, da Equipe "F" da Delegacia de
Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), após receber o Laudo nº 645/88, do IML, redigiu um
documento ao IML, para esclarecer algumas dúvidas, no que diz respeito ao instrumento utilizado,
manchas e reações vitais, e se existiam casos semelhantes. Foram feitas quatro perguntas. Na
terceira, foi perguntado se poderia ter ocorrido a ação de animais junto ao corpo? A resposta
nunca foi publicada. Assim, o Dr. Desgualdo novamente pediu ao IC um laudo complementar. O Dr.
Edson de Carvalho Ribeiro Viegas designou o Perito Criminal Dr. Eduardo Roberto Alcântara
Del-Campo, o qual fez um levantamento detalhado do local onde foi encontrada a vítima. Foi junto
com o Dr. Del-Campo o Sargento Guedes, do Corpo de Bombeiros, que comandou a equipe que retirou
o corpo do local.
PARTE DO LAUDO DO DR.
DEL-CAMPO (Informações que foram omitidas do público)

Em seu Laudo, o Dr.
Del-Campo é taxativo quando narra o depoimento do Sargento Guedes. "Disse que, ao chegar para
resgatar o corpo, este estava desnudo, apenas trajando cuecas de malha, e que, sobre o corpo,
havia cerca de vinte urubus, aves reconhecidamente necrófagas". Aqui é muito importante
ressaltar que os urubus estavam sobre o corpo, ou seja, em contato físico. Os urubus espetam as
unhas na carne do corpo e vão comendo as partes moles. O Dr. Del-Campo requisitou o corpo de um
cachorro à Prefeitura e levou para o local. Durante três dias acompanhou o que estava
acontecendo. Os urubus e os ratos atacaram. Em apenas dois dias não mais havia nada. Até mesmo
os ossos desapareceram. Uma das fotos do corpo desse cachorro fez parte do Processo.
O Dr. Del-Campo, em seu Laudo, também afirma que observou um
número acentuado de animais e insetos necrófagos no local, principalmente pequenos roedores
(ratos) e aves (urubus). Afirma também que os ratos e os urubus atacam primeiramente as partes
moles e pregas naturais, pela facilidade de ataque, ou aqueles onde o odor é mais evidente, pela
atração que exercem nesses animais, v. g., pálpebras, olhos, orelhas, nariz, lábios, bolsa
escrotal, ânus, cicatriz umbilical, pregas interdigitais e axilas.
Eng. Claudeir Covo é ufólogo e
presidente do INFA Paola Lucherini é ufóloga, presidente do INPU e secretária do INFA
Tânia da Cunha é ufóloga e diretora do INPU
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