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Por Claudeir Covo, Paola
Lucherini e Tânia da Cunha

O Sr. Antônio Gomes Filho, que mora no local há mais de quinze
anos, hoje com 83 anos de idade, que tem a mente ainda bem lúcida, se recorda com detalhes
daquele dia que acharam o corpo. Disse que viu os urubus e também carcarás comendo o corpo
daquele coitado. Disse que se alguém morre na mata é atacado por urubus e se morre na água, é
atacado pelos peixes. Disse que é normal aparecer algum corpo morto na região. Se lembra com
detalhes quando emprestou o barco. Sobre ratos, o Sr. Antônio disse que tem de todo tamanho na
região.
A Dna. Ana Joaquim
Bevilaqua Rosa, hoje com 53 anos de idade, também moradora do local há mais de vinte anos,
vizinha do Sr. Antônio, acompanhou tudo de perto. Também viu os urubus atacando o pobre coitado.
Contou que há menos de um ano, viu um cachorro com problemas em uma das patas, do outro lado da
represa, que estava sendo atacado vivo pelos urubus. Como tinha dificuldades em andar, os urubus
aproveitaram e atacaram. A Dna. Ana disse também que há uns seis meses, morreu um cavalo lá
perto, também às margens da represa. Curiosa, ela foi lá perto dar uma olhada. Ficou assustada
em ver a barriga do cavalo se mexendo. Em um certo instante, começaram a sair por um buraco na
barriga do cavalo vários urubus. Ela nunca tinha visto nada igual. Disse também que a quantidade
de ratos, de diversos tipos, é assustadora.
O Sr. Alcides Bevilaqua Joaquim, hoje com 55 anos, irmão da Dna.
Ana, mora no local há mais de trinta anos, também acompanhou tudo, mas de longe. Disse que nunca
viu nada de estranho pela região, nem chupacabras e muito menos disco voador.
O Dr. Eduardo Roberto
Alcântara Del-Campo, que hoje ocupa o cargo de Promotor de Justiça da Infância e Juventude e que
na época foi o Perito Criminal, do Instituto de Criminalística do Departamento Estadual de
Polícia, nos recebeu gentilmente. Ficou surpreso e indignado quando contamos que tal caso foi
divulgado como ataque de tripulantes de discos voadores. Disse que quando foi designado para
fazer um Laudo Complementar, fez várias diligências ao local. Conversou com testemunhas e
verificou que realmente a região é cheia de urubus e ratos. Também pudemos constatar isso nas
três vezes que estivemos lá. O Dr. Del-Campo nos mostrou vários álbuns com fotos de diversos
casos semelhantes. Disse também que o Sr. Joaquim Sebastião Gonçalves pode ter desmaiado por
estar na região da fulminação de um raio e pode ter sido atingido parcialmente. Disse ainda que
as informações dos bombeiros que retiraram o corpo do local e dos moradores, bem como a
simulação com um cachorro morto não deixaram dúvidas que aquele pobre homem foi atacado por
ratos e urubus. Disse que é relativamente comum, em corpos
encontrados nesse estado, na hora que o médico legista está abrindo a vítima, encontram ratos
vivos dentro da barriga do morto, comendo as vísceras. O Dr. Del-Campo disse que foi
entrevistado pela pesquisadora Encarnación, mas ela nada divulgou sobre o Laudo dele e as
respectivas conclusões.
O bombeiro e Sargento Guedes (Milton de Souza Guedes) também nos
recebeu gentilmente em sua casa. Nos confirmou que quando chegou no local, havia uma grande
quantidade de urubus comendo o corpo da vítima. Disse que isso acontece com freqüência. Disse
que uns dez dias depois, ele atendeu uma ocorrência exatamente igual, porém agora sim na Represa
Guarapiranga. Disse que narrou com detalhes ao Dr. Del-Campo o que ele viu no local quando lá
chegou com a equipe. Pelos diversos buracos no corpo, a vítima perdeu muito sangue. Tentamos
localizar o bombeiro Sargento Urban, que também fez parte da equipe que retirou o corpo do
local. Infelizmente, devido a uma doença, ele veio a falecer há uns três anos.
O bombeiro e Sargento
Elifas (Elifas Morais Alves), atualmente Segundo Tenente, declarou que realmente o corpo da
vítima foi atacado por urubus. Também ficou surpreso e indignado quando contamos que tal caso
foi divulgado como ataque de tripulantes de discos voadores. Disse que naquela época era comum a
desova de cadáveres na beira das represas Billings e Guarapiranga. Disse que era rotina por
parte do Cabo Bruno (Florisvaldo de Oliveira) fazer isso. Investigando as publicações do
passado, verificamos que haviam muitos outros justiceiros, além do Cabo Bruno. Entre 1970 e
1998, foram mais de mil cadáveres nessas condições só na Grande São Paulo, sendo que uma boa
parte na beira das represas já citadas.
Isso explica claramente a resposta dada pelo IML, quando o
Delegado de Polícia da 25ª DP, o Dr. Marco Antônio Desgualdo enviou um documento perguntando se:
"Existem nos registros da Medicina Legal ocorrências semelhantes?". A resposta foi:
"Sim, existem vários casos semelhantes". Quando este caso foi divulgado, em 1993, essa
resposta foi publicada com ênfase, dando a entender que existem muitos casos de humanos
mutilados por tripulantes de discos voadores, o que não é verdade.
Quando o jornal Notícias
Populares (NP), que publicou este caso, em 27.04.1997, o jornalista responsável pela matéria foi
até a UNICAMP (Universidade de Campinas) e mostrou as sete fotos ao Dr. Fortunato Badan
Palhares. Com o título "FOTOGRAFIAS SÃO SECRETAS", a matéria saiu assim: "As fotografias do
Caso Guarapiranga, sete no total, estão escondidas em arquivos secretos da polícia de São Paulo.
O NP teve acesso às fotos e aos documentos do caso através de pessoas não ligadas ao IML nem ao
Instituto de Criminalística. Após recusa de chefes do IML em falar sobre o assunto, o NP pediu
uma análise do caso ao médico legista Fortunato Badan Palhares. Para ele, trata-se de animais
predadores, como roedores, formigas, siris, caranguejos e urubus. Todas as lesões ou ferimentos
encontrados na superfície corporal são compatíveis com lesões produzidas por pequenos roedores,
escreveu Badan Palhares. Segundo ele, até os sinais de reações vitais no corpo (vítima estava
viva quando foi mutilada) podem ser explicados: ele pode ter tido um infarto e caído em agonia
por horas, sem se mexer. Os bichos começariam a atacá-lo ainda vivo".
Na Revista UFO n} 25, a pesquisadora Encarnación afirma: "Tudo
indica que os urubus mencionados pelo delegado de plantão apenas sobrevoaram o corpo sem
atacá-lo". Afirma ainda: "Por outro lado, se o homem tivesse sido vítima de assassinato
comum, seus restos com certeza estariam destroçados pela ação de urubus e outros carniceiros,
que neste caso, permaneceram à distância". Em todos os Laudos que examinamos, não existe
nenhum componente que possa se afirmar algo desse tipo, muito pelo contrário.
A conclusão do Dr. Del-Campo é que realmente esse homem foi vítima
de ataques de predadores. Existe uma diferença muito grande em afirmar que os urubus estavam lá
em cima, no céu, à distância, sobrevoando o cadáver, em relação em afirmar que os urubus estavam
grudados no corpo da vítima, comendo as partes moles. As testemunhas viram isso.
Quando estávamos fechando este relatório, nós ligamos para a
pesquisadora Encarnación Zapata Garcia. Tínhamos preparado algumas perguntas para ela responder.
Iríamos mostrar a ela detalhes do exposto acima. Ela disse que não iria mais falar sobre esse
assunto e desligou o telefone.
Existe uma quantidade muito grande de animais necrófagos na
natureza. Pesquisando sobre esse assunto, verificamos que tais animais têm atração pelo cheiro
dos órgãos sexuais. Os animais pequenos, tais como os roedores, entram pelos orifícios naturais
do corpo, o ânus, a boca, por exemplo, e comem os órgãos internos. Já os urubus, com o auxílio
do bico, bicam seguidamente em uma parte mole, a barriga, por exemplo. Após perfurar, eles
entram com a cabeça e vão comendo tudo por dentro. Tempos atrás, a TV Cultura apresentou um
documentário sobre roedores. Tinha um pequeno roedor, o Microsorex Hoyi, com o nome popular de
Musuranho ou Mussurano ou ainda Musaranho, que girando a cabeça como se fosse uma broca, com os
dentes incisivos, vão cortando sempre na mesma linha, fazendo um buraco totalmente circular e
assim tem acesso às vísceras. Existem tipos de roedores nos desertos que mantém a cabeça fixa e
giram o corpo também como uma broca, fazendo um furo totalmente circular. Se um cadáver que foi
atacado por predadores estiver no estado de lise, ou seja, bem conservado, é possível
identificar que tipo de animal o atacou. Os roedores têm um par de incisivos grandes nas
mandíbulas superiores e inferiores, que cortam como faca.
O médico legista disse que a vítima teria morrido há
aproximadamente 24 horas. Os Laudos descrevem que o cadáver já estava iniciando a decomposição.
Não sabemos se isso possa ter interferido nas conclusões dos dois médicos legistas que assinaram
o Laudo. Mas, pelo exposto acima, o INFA e o INPU não tem dúvidas que o Sr. Joaquim Sebastião
Gonçalves foi morto por animais necrófagos.
As mutilações de animais
por tripulantes de discos voadores são fatos reais na Ufologia Mundial, mas com certeza, muitos
casos de ataques de animais necrófagos foram confundidos como sendo ataque por parte de
tripulantes de discos voadores. Assim, para cada caso novo que surgir, temos que analisar
detalhadamente, para poder separar o joio do trigo.
Nesta pesquisa, é fundamental o agradecimento ao Primeiro Tenente
Humberto Cesar Leão (foto ao lado), do Corpo de Bombeiros, que não mediu esforços para nos
ajudar a localizar os bombeiros que fizeram parte da equipe que retiraram o corpo do
local.
Assim, é fundamental também saber que a Ufologia se baseia em
fatos, no plural e não em fato, no singular. Se fosse verdade que tripulantes de discos voadores
mutilam seres humanos, com certeza teríamos milhares de casos, em todos os países, e isso não
acontece.
Houveram casos onde aconteceu morte ou cura. Nos casos de mortes,
sempre aconteceu antes algum tipo de reação por parte dos seres humanos, por exemplo, o Caso
Crixás, em 13.08.67. Inácio disparou um tiro na testa de uma estranha criatura e em seguida
recebeu um "tiro" de luz verde, de dentro de um disco voador, que o atingiu no ombro e caiu
desfalecido. Morreu em 11.10.67 com leucemia.
Assim, fica aqui este caso, bem como os outros dois citados no
início, como exemplos para os jovens ufólogos que estão iniciando agora, para não cometerem os
mesmos erros cometidos por terceiros no passado.
Eng. Claudeir Covo é ufólogo e
presidente do INFA Paola Lucherini é ufóloga, presidente do INPU e secretária do INFA
Tânia da Cunha é ufóloga e diretora do INPU
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