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Por Claudeir Covo e Paola
Lucherini Covo
O fotógrafo profissional fluminense Almiro Baraúna, em 1954, após
analisar detalhadamente as fotos de um suposto UFO na Barra da Tijuca, realizada por Ed Keffel e
João Martins (ver O Caso Barra da Tijuca), e ter concluído que se tratavam de dupla exposição,
acabou fazendo diversos truques fotográficos na tentativa de repetir o feito. Os resultados de
seus testes foram publicados junto de um texto de Vinícius Lima na revista "Mundo Ilustrado" com
o título Um Disco Voador Esteve na Minha Casa. Na época, isso foi muito comentado pela
imprensa carioca. Baraúna mal sabia que, quatro anos depois, iria se envolver pessoalmente em
uma oportunidade única de fotografar um disco voador de verdade. Mas pelo fato de ter dado uma
aula de como fraudar fotos do gênero, foi muito criticado e questionado pela mesma
imprensa.
Começava o Ano Geofísico Internacional de
1958, e em 16 de janeiro, a convite da Marinha brasileira, Almiro Baraúna juntou-se a tripulação
do navio-escola Almirante Saldanha, para pesquisar a Ilha de Trindade, no litoral do Espírito
Santo. O navio estava atracado, preparando-se para retornar ao continente, quando algo
aconteceu. Baraúna, então com 43 anos, tinha batido algumas fotos do cenário um pouco antes e
estava deitado no convés, passando mal. Tinha uma forte dor-de-cabeça e enjôo. De repente, por
volta das 12:15 horas, percebeu uma grande movimentação na embarcação. Os marinheiros chamavam
sua atenção para algo luminoso no céu. O capitão Viegas, da Aeronáutica, abordou Baraúna e pediu
para que fotografasse aquele misterioso objeto aéreo. Rapidamente, Baraúna pegou a sua máquina
Rolleiflex e conseguiu fazer seis fotografias. Perdeu duas fotos, a quarta e a quinta, devido a
velocidade do objeto e agitação do convés.
O objeto registrado, em forma de planeta Saturno, veio do mar,
sobrevoou a ilha, passou sobre a ponta da Crista do Galo e depois sobre o monte Desejo, e
escondeu-se atrás de um morro. Mas reapareceu novamente do outro lado, retornou para o mar,
parou e em seguida disparou em altíssima velocidade, como se fosse um foguete. Era completamente
silencioso. O fato não durou mais que 14 segundos, mas 48 testemunhas observaram tudo o que
aconteceu, perplexas, e entre elas marinheiros, sargentos e oficiais. Como civis, estavam no
navio o advogado e funcionário do Banco do Brasil Amilar Vieira Filho, o funcionário do Banco de
Londres Mauro Andrade, José Teobaldo Viegas, então capitão da reserva da FAB, industrial e
diretor de um Aeroclube carioca, um cidadão conhecido apenas como Aloísio e o professor de
geologia Fernando. Todos eram da equipe do Clube de Caça Submarina de Icaraí, em Niterói
(RJ).
Após o objeto desaparecer, outras pessoas
também começaram a passar mal, como já vinha acontecendo com Baraúna. Ele sentiu o coração
disparado, tremedeira e sensação de vazio acompanhada de suor frio. Depois de uma hora, já
recuperado do susto, foi perguntado pelo comandante do navio se tinha conseguido fotografar o
objeto. Baraúna disse que sim. Resolveram, então, preparar um revelador no pequeno laboratório
improvisado a bordo. Assim, o filme foi revelado na hora. Todas as 48 testemunhas confirmaram
que as imagens que surgiram nas quatro poses do negativo eram exatamente iguais ao objeto que
viram sobrevoando a ilha. Quando o UFO sobrevoou o Almirante Saldanha, toda a parte elétrica da
embarcação pifou, as lâmpadas ficaram fracas e o rádio sem sinal. Após o navio partir, o
comandante chamou Baraúna para conversar em particular e disse que as fotos seriam dele. Disse
também que, antes de divulgá-las, ele teria que ir à Marinha prestar depoimento. Quando o navio
chegou a Vitória (ES), tendo que permanecer atracado no porto por dois dias, Baraúna, que não
podia esperar, acabou retornando para Niterói de ônibus. Lá chegando, foi direto a um
laboratório, onde ampliou as fotos a partir do negativo já revelado. Quatro dias depois, um
comandante da Marinha o procurou para que comparecesse à sede do então Serviço Secreto da
Armada, no Rio de Janeiro.
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AS FOTOS DE ALMIRO BARAÚNA |
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PRIMEIRA FOTO
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PRIMEIRA FOTO – CLOSE NO UFO
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SEGUNDA FOTO
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SEGUNDA FOTO – CLOSE NO UFO
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TERCEIRA FOTO
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TERCEIRA FOTO – CLOSE NO UFO
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QUARTA FOTO
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QUARTA FOTO – CLOSE NO UFO
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A TRAJETÓRIA DO OBJETO |
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Ele levou Baraúna até lá, onde foi sabatinado por um grupo de
oficiais a respeito de truques fotográficos, fotografias aéreas e muitas outras coisas. Ficou lá
das 08:00 às 16:00 horas, pois os militares queriam ter certeza da autenticidade das fotos.
Pediram os negativos emprestados a Baraúna, que os cedeu, e os levaram até o laboratório
aerofotográfico da empresa Cruzeiro do Sul. Depois, os enviaram a Kodak, em Rochester, Estados
Unidos, para maiores análises. Os negativos foram testados por equipamentos eletrônicos e
processos químicos, não se encontrando neles qualquer tipo de fraude. Assim, com autorização do
então presidente Juscelino Kubitschek, as fotos de Baraúna foram liberadas para divulgação pelo
almirantado da época, depois de um mês, em uma quarta-feira de cinzas. Todas as rádios estavam
noticiando que o jornal "Correio da Manhã" iria publicar um furo fotográfico mundial em sua
edição seguinte.
Mas Baraúna entrou em contato com João Martins, que o convenceu a
levar a matéria para a redação da revista "O Cruzeiro", para que a notícia das fotos fosse nela
publicada. Em linguagem jornalística, o "Correio da Manhã" foi furado pelo "O Cruzeiro". Foram
posteriormente feitas 40 cópias das imagens e distribuídas para todos os jornais do Rio de
Janeiro, para publicação. Muitos deles, em várias edições, estamparam as fotos, depoimentos,
análises, dados, reportagens, etc. Dias depois, Baraúna descobriu que o "Correio da Manhã"
acabara conseguindo as fotos diretamente da Marinha – as cópias que ele mesmo tinha cedido,
carimbadas com "reservado".
O relatório oficial do almirante-de-esquadra Antônio Maria de
Carvalho, chefe do Alto Comando Naval, conhecido como Documento Confidencial nº 0098/M-20,
descreve os seguintes detalhes acerca das fotos obtidas na Ilha de Trindade: "Enfim, foi
registrado mais outro alarme de OVNIs, às 12:15 horas do dia 16 de janeiro de 1958. Dessa vez,
aconteceu a bordo do Almirante Saldanha, ancorado ao largo da Ilha da Trindade. O navio estava
prestes a zarpar e a pinaça (pequeno barco aberto) usada para a travessia até a terra
estava sendo recolhida por membros da tripulação quando, de popa a proa, soou o alarme". O
documento continua dizendo que um fotógrafo profissional civil, que se encontrava a bordo
registrando o recolhimento da pinaça, teve sua atenção chamada para o disco voador, do qual obteve as quatro fotos. "Após o aparecimento, o fotógrafo Almiro Baraúna retirou
o filme da câmera na presença do capitão-de-corveta Carlos Alberto Bacellar e de outros
oficiais (...), e o mesmo foi revelado dentro de dez minutos".
O almirante Carvalho também informa, através de seu relatório, que
em seguida os negativos foram examinados pelo próprio Bacellar. Este confirmou que os mesmos
ainda estavam molhados ao serem entregues para exame. "Neles reconheceu o OVNI em
apreço", enfatiza o documento oficial. "Em seguida, os negativos foram mostrados a
membros da tripulação, testemunhas oculares do aparecimento. Eles confirmaram que as imagens nos
negativos eram idênticas ao que avistaram no ar". Estava chancelada oficialmente a
legitimidade das fotos de Baraúna. Assim, com autorização do Ministério da Marinha, o depoimento
prestado pelo capitão Bacellar foi liberado para publicação pela imprensa. Ele conta que,
efetivamente, um UFO foi avistado do convés do Almirante Saldanha. "Pessoalmente, não
testemunhei aquele aparecimento porque, no preciso instante, encontrava-me no interior de minha
cabine. Porém, imediatamente fui chamado para a ponte". Mesmo assim, Bacellar confirmou que
Baraúna estava no convés com a sua câmera e que, após a ocorrência, ficou em estado de exaustão
nervosa. "Permaneci ao seu lado o tempo todo, porque queria presenciar a revelação do
filme".
Com um farolete a pilha, Viegas acompanhou atentamente a revelação
do filme, no pequeno laboratório improvisado, enquanto Bacellar, ao lado de fora, esperou que
terminasse. Ambos concluíram que o negativo mostrava com precisão a seqüência de vôo do objeto
não identificado sobre a ilha. Como foi previamente combinado, Bacellar procurou Baraúna no Rio
de Janeiro e, por duas vezes, o acompanhou até o Ministério da Marinha. "Chamei a atenção do
fotógrafo para o fato de ser estritamente proibida a publicação das fotos sem autorização
oficial, e informei que ele seria avisado tão logo as autoridades competentes resolvessem
liberá-las para divulgação". No calor dos acontecimentos, em 24 de fevereiro de 1958, o
então ministro Alves Câmara comentou numa entrevista à agência "United Press" que a Marinha
brasileira estava envolvida num importante segredo, que não poderia ser discutido em público,
visto que, para tanto, não havia ainda explicação sobre os discos voadores. "Mas a prova
fotográfica apresentada por Almiro Baraúna convenceu-me da sua existência",
garantiu.
Naquele mesmo dia, o capitão-de-fragata Moreira da Silva declarou
que não queria ver qualquer discussão a respeito do caráter do fotógrafo que havia feito as
fotos do UFO, pois o objeto também havia sido observado por uma série de personagens conhecidos
e respeitáveis. "Posso garantir que as fotos são autênticas e o filme foi revelado
imediatamente, a bordo do Almirante Saldanha. Confirmo ainda que os negativos foram examinados
por diversos oficiais, logo após a revelação. Assim, fica excluída qualquer eventualidade de
truque fotográfico". Com base na análise dos negativos e dos detalhes relatados pelas
testemunhas, peritos conseguiram calcular a velocidade mínima do UFO como sendo em torno de
1.200 km/h.
Mas essa velocidade aumentou de forma
considerável quando o objeto acelerou. Seu tamanho foi estimado em quarenta metros de diâmetro e
sete metros de altura. Enfim, como se vê, estamos diante de um caso absolutamente genuíno. A
própria posição das autoridades brasileiras é um assombro. "Pouco importa qual seja a nossa
atitude diante dos OVNIs, pois persiste o fato de ter ocorrido um fenômeno que, além de
documentado por fotos, foi confirmado pelo depoimento escrito de 48 testemunhas", declarou
oficialmente o capitão Moreira da Silva. O Ministério da Marinha, através do Comando de
Operações Navais, fez um relatório secreto detalhado sobre o incidente na Ilha da Trindade. Na
época, o deputado Sérgio Magalhães queria ter informações sobre o documento, mas ele não foi
liberado. O curioso é que tal relatório só veio a público em outubro de 1971, num artido de
Jorge C. Pineda, publicado em uma revista Argentina. Nele, aparecem correspondências trocadas
entre os oficiais Luiz Felipe da Luz e Antônio Maria de Carvalho, que novamente endossam o
evento. Há no artigo também um pedido de informações sobre o assunto assinado por M. Sunderland,
então agregado naval dos Estados Unidos no Brasil. Estranhamente, após tudo o que as autoridades
brasileiras garantiram sobre o fato, o relatório secreto inexplicavelmente diminui a sua
importância. Suas conclusões, endossadas pelo capitão-de-corveta José Geraldo Brandão, do
Serviço de Inteligência da Marinha, são de que as testemunhas confirmam a mesma
coisa.
Mas o documento diz que "a maioria dos informes apresentados é
insuficiente, sobretudo a falta de idoneidade técnica de muitos dos observadores e a breve
duração do fenômeno observado, de modo que nenhuma conclusão pode se obter sobre terem avistado
objetos voadores não identificados". O relatório diz ainda que a mais importante e valiosa
prova apresentada, a fotografia, de alguma maneira perde sua qualidade convincente, devido à
impossibilidade de se afastar totalmente uma montagem prévia.
Os ufólogos até hoje se perguntam o que fez os militares
brasileiros esvaziarem a questão tão abruptamente. A adoção de uma posição dúbia é realmente
contraditória. Embora afirme a importância do fato, o relatório desqualifica alguns de seus
detalhes. E deixa transparecer uma cuidadosa tendência à aceitação do incidente quando afirma
que "finalmente, a existência de informes pessoais e de evidências fotográficas, de certo
valor considerando as circunstâncias envolvidas, permite a admissão de que há indicações da
existência de objetos voadores não identificados". Sua última conclusão é, na verdade, uma
sugestão que faz o relator para que as autoridades do Alto Comando da Marinha passem a levar em
consideração todas as informações que se obtenha sobre o fenômeno UFO, "com vistas a se
alcançar conclusões acima de toda dúvida".
Eng. Claudeir Covo é ufólogo e
presidente do INFA Paola Lucherini Covo é diretora do
INPU (www.inpubr.com.br) e do INFA

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