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Por Reinaldo
Stabolito

Depois de várias décadas de estudos e pesquisas do fenômeno UFO,
pouco sabemos realmente. Desconhecemos completamente sua origem, sua entidade material e,
principalmente, ignoramos gravemente as intenções por trás de suas misteriosas atividades em
nosso planeta. Mas mesmo nesse contexto pouco revelador, as abduções alienígenas parecem ser o
elemento mais terrível de toda casuística ufológica. Seres estranhos e desconhecidos invadem o
nosso meio, raptam seres humanos anulando o seu livre arbítrio, e os submetem a toda sorte de
exames clínicos misteriosos. Muitas vezes ocasionando dores e grandes desconfortos nos
abduzidos, os extraterrestres realizam seu trabalho demonstrando uma completa indiferença e
frieza diante de suas apavoradas vítimas. Mas o aspecto mais chocante é que, em alguns casos, os
abduzidos ficam com terríveis seqüelas da experiência, existindo inclusive registros em que as
conseqüências chegaram até a ser letais. Um bom exemplo é o caso Barroso.
Alguns minuto depois das
05:00 horas da manhã do dia 03 de abril de 1976, na cidade de Quixadá, o fazendeiro e
comerciante Luiz Barroso Fernandes estava se deslocando de sua residência para a fazenda usando
sua charrete. Subitamente, ele ouviu um ruído que lembrava zumbido de abelhas. Barroso olhou
para os lados, mas nada viu. Despreocupadamente continuou sua trajetória. No entanto, o ruído
aumentava cada vez mais de intensidade, parecendo vir do alto. E foi nesse exato momento que
observou uma bola de luz passando sobre sua cabeça. Intrigado, mas sem medo, puxou as rédeas do
animal e ficou observando o UFO que, diminuindo de velocidade, desceu na estrada a poucos metros
à sua frente.
A bola de luz apagou-se e Barroso viu que se tratava de um objeto
parecido com um carro Fusca, porém muito "mal acabado e que rodopiava". O objeto parou de
girar e uma pequena porta abriu. Por ela saíram dois seres baixos de aspecto humano. Uma das
criaturas tinha em suas mãos um equipamento que parecia uma lanterna quadrada e escura. O ser
direcionou esse aparelho para Barroso e dele foi emitido um feixe de luz que atingiu o rosto do
fazendeiro. Imediatamente Barroso sentiu um forte calor e não conseguia se mover. Logo em
seguida, os seres se aproximaram mais dele e novamente atingiram-no com aquele raio de luz.
Barroso perdeu os sentidos e veio a acordar algumas horas depois, num local que não era o mesmo
quando aconteceu o incidente. O fazendeiro estava meio dormente, com sensação de febre, tinha
dificuldades respiratórias, intensa dor de cabeça e o lado esquerdo do corpo queimado, como se
tivesse sido exposto ao Sol por um tempo prolongado.
Barroso não conseguia locomover-se e pensou que fosse morrer, mas
para sua sorte um vaqueiro conhecido seu que passava pelo lugar prestou-lhe auxílio, levando-o
até sua fazenda. Barroso relatou o incidente insólito que tinha vivenciado e, em pouco tempo, a
história se espalhou tornando-o atração da cidade. A imprensa, na época, fez uma ampla cobertura
do seu caso. E foi assim que o CPU (Centro de Pesquisas Ufológicas) tomou conhecimento do
incidente e passou a investigá-lo.
O caso foi pesquisado
durante 17 anos. No transcorrer deste período, Barroso entrou numa regressão mental inexplicável
até parecer, segundo o doutor Antônio Moreira Magalhães e mais 15 médicos que o acompanharam
durante esses anos, uma criança de não mais que 9 meses de idade. Nesse estágio, ele apenas
pronunciava as três palavras "Mamãe, dá medo" quando flashes de câmeras fotográficas ou
luzes de filmadoras eram acionados. Por mais inacreditável que possa parecer, Barroso também
começou a rejuvenescer fisicamente, desaparecendo as rugas do rosto e os músculos se
enrijeceram. Infelizmente, em abril de 1993, Barroso acabou falecendo. Sem dúvida, a provável
abdução que Barroso sofreu no dia 03 de abril de 1976 afetou toda a sua vida, comprometendo
drasticamente a sua saúde, e terminou 17 anos depois, de forma extremamente
trágica.
O SÓRDIDO JOGO
EXTRATERRESTRE
Além do fraco argumento de "não influência" de um fenômeno que
efetivamente influência a nossa sociedade, para muitos a falta de transparência e de um contato
aberto com a inteligência por trás dos UFOs pode ser resultado direto da atitude de seres
superiores que nos observam com desprezo. Fazendo uma analogia: nós estudamos as formigas, mas
não procuramos contatá-las. Essa idéia de "desprezo do contato" baseado à nossa posição de
"seres inferiores" foi esboçada de forma bastante completa e inquietante pelo navegador
solitário Donald Crowhurst, em 1969. Crowhurst teria desaparecido misteriosamente no mar e no
diário de bordo de seu barco existiam conteúdos insólitos bastante sugestivos. Eles foram
posteriormente publicados em jornais:
"As causas dos transtornos que sentimos devem-se a que os seres
cósmicos se entregam a certas brincadeiras com as pessoas. Gosto de jogos divertidos e estou
totalmente de acordo com o ponto de vista dos seres cósmicos. Mas, ao mesmo tempo, sou um homem
e, quando reflito sobre os sofrimentos que os homens suportam por causa do jogo dos seres
cósmicos, sinto-me cheio de raiva contra eles".
Seres cósmicos que
brincam com os seres humanos, mantendo suas reais atividades e objetivos na mais completa
revelia da humanidade. Realmente, nesse jogo quem comanda as peças são os extraterrestres e,
como ditadores, nos manipulam, inclusive conduzindo ações em suas diversas manifestações que são
absolutamente desconcertantes. Infelizmente temos registros na casuística ufológica que parecem
reforçar pelo menos em parte as idéias de Crowhurst. Um exemplo típico foi divulgado pelo doutor
Jacques Vallée, no dia 20 de maio de 1950, na planície de Loira, França. Vallée, em respeito ao
direito de intimidade da testemunha, não publicou seu nome e nem o local exato do incidente, mas
transcreveu a narração do caso com as próprias palavras da testemunha:
"Voltava rapidamente para minha casa para preparar o jantar.
Sentia-me feliz e contente e cantava uma música popular. Tudo estava tranqüilo e em silêncio,
sem uma brisa. Encontrava-me sozinha".
"De repente me achei rodeada completamente por uma luz
brilhante e cegadora e vi aparecer na minha frente duas grandes mãos pretas. Cada uma delas
tinha cinco dedos, de cor preta com um leve matiz amarelo, próximo à cor do cobre. Os dedos eram
de aspecto rude, vibravam levemente ou tremiam. Estas mãos não apareceram por trás de mim, mas
vinham do alto, como se tivessem estado suspensas sobre minha cabeça esperando que chegasse o
momento de agarrar-me. Estas mãos não tinham braços visíveis".
"Ambas agarraram meu rosto com violência e me apertaram a
cabeça, como as garras de uma ave de rapina faria com sua vítima. Puxaram minha cabeça para trás
até pô-la em contato com um peito muito duro... tão duro, que parecia ferro. Senti o frio
através do meu cabelo e no pescoço, mas nenhum contato perceptível com roupas. As mãos eram tão
frias, que seu contato me fez pensar que não eram de carne. Tinha os olhos cobertos pelos
grandes dedos e não podia ver nada; também cobriram meu nariz, impedindo-me de respirar, e a
boca, impedindo-me de gritar".
A testemunha confessou
que experimentou a sensação análoga a de uma descarga elétrica de grande intensidade quando
essas misteriosas mãos lhe tocaram. "As mãos acabaram apertando meu pescoço, produzindo uma
dor indescritível. Sentia-me como um brinquedo quebrado entre as mãos não humanas do meu
agressor. Então ele começou a me sacudir para frente e para trás várias vezes, sem deixar de
apertar fortemente minha cabeça contra seu peito gelado. Tive a impressão clara de que aquele
ser levava uma armadura de aço ou de qualquer outro material muito duro e
frio".
O desconhecido então riu: "Um estranho riso que no início
parecia áspero e surdo, mas depois ficou forte. Fez com que eu estremecesse e quase me provocou
uma dor física. Em poucos segundo o riso cessou rapidamente". A mulher sentiu um forte
golpe, como se um joelho metálico tivesse atingido suas costas. Logo em seguida começou a ser
arrastada a uma velocidade incrível, sendo que as mãos continuavam a apertar sua cabeça com
bastante intensidade. Finalmente o seu misterioso agressor lhe soltou. No entanto, a testemunha
não conseguiu vê-lo: "Os galhos das vegetações ao redor se mexeram. Vi como as plantas e a
grama se afundavam sob os passos de um ser invisível". Ainda se recuperando da traumática
experiência, a testemunha observou algumas árvores próximas balançando com força e, subitamente,
uma luz branca bastante intensa riscou o ar numa velocidade vertiginosa. Após muito esforço, a
mulher chegou na guarda florestal, onde pode ser atendida. Ela tinha muitos arranhões por ter
sido arrastada. "Eles me disseram que eu tinha profundas e largas marcas vermelhas no meu
rosto, que pareciam terem sido feitas por dedos".
Insólito? Inacreditável? Qual a realidade por trás do fenômeno
UFO? Quando poderemos finalmente chegar numa resposta satisfatória para a presença alienígena? O
fato é que quanto mais nos aprofundamos na pesquisa ufológica, mais o fenômeno nos parece
desconcertante. E nesse jogo não somos nós que damos as cartas!
CONTRAPONTO: A SACRALIZAÇÃO DO
FENÔMENO
Enquanto determinados grupos se negam veementemente aceitar a
realidade do fenômeno UFO, outros não apenas os aceitam, mas também mobilizam ao seu redor seus
sentimentos, inquietudes e esperanças. É um contexto perigoso, pois são terrenos férteis para
que apareçam os mensageiros, os iluminados e os líderes do
absurdo. Entre eles estam as comunidades que difundem várias mensagens supostamente
extraterrestres provenientes de contatos improváveis e contendo a exortação fraudolenta e pueril
para que sejamos bons e não brinquemos de guerra uns com os outros.
O que sustenta tal contexto é que milhares de pessoas olham para
os céus na procura de anjos tecnológicos procedentes do cosmos que vêem nos salvar de nossos
próprios erros. A incrível contradição está no fato que muito se especulou que os UFOs deveriam
ser acobertados para impedir o pânico generalizado, sendo que hoje há uma parcela significativa
da população que não os teme, mas os desejam atribuindo a eles a possibilidade de redenção
divina.
Enquanto isso, avistamentos, abduções e tudo o mais vão
enriquecendo a casuística ufológica, dando a entender que o fenômeno em si ignora todas essas
nossas convicções humanas perante eles mesmos. No fundo, chega a dar a impressão que os UFOs são
mais testemunhas do fenômeno de sacralização ufológica do que protagonistas. De fato, a
casuística nos mostra seres estranhos, frios e indiferentes raptando humanos para extração de
amostras de tecidos diversos de seus corpos. E muitas vezes produzindo seqüelas terríveis na
vida dessas pessoas. Assim, parece óbvio que as milhares de pessoas que esperam ansiosamente
pela clara demonstração de fraternidade espiritualizada do fenômeno, o fazem mais movidas por
sua própria angústia do que apoiadas pela experiência. É quase que uma inquietante certeza que
nós somos incapazes de sair do labirinto em que nos enfiamos. E talvez não sejamos mesmo! Mas
não justifica projetar a esperança num fenômeno desconhecido que mais parece ser indiferente,
frio, com suas próprias motivações e clara opção pela clandestinidade em sua atuação
terrena.
Sim, tudo leva a crer que os extraterrestres estão mesmo aqui há
muito mais tempo que nossa vã filosofia possa supor, mas é só. A responsabilidade dos erros
cometidos sobre este planeta é só nossa e compete a nós remediá-los. E se não for possível, que
aceitemos com dignidade o ônus de nossa estupidez. Mas infelizmente parece impossível impedir
que o fenômeno UFO seja alvo de canalização de fantasias ou de frustrações humanas de uma
parcela significativa da população.
Reinaldo Stabolito é ufólogo e
Coordenador Geral do INFA
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