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Por Reinaldo
Stabolito

Baseando-nos no farto material recolhido em todo mundo por
investigadores e grupos ufológicos, é possível afirmar que existe um núcleo no fenômeno UFO não
explicado por causas naturais. Esta certeza, que representa um passo muito importante, conduz de
imediato as seguintes perguntas: Qual é a origem certa de fenômeno? Quais as suas motivações?
Para tentar se aproximar destas duas questões básicas, devemos limitar-nos aos fatos, buscando
interpretar as diferentes pautas de comportamento do fenômeno. A casuística mundial catalogada
apresenta um núcleo de evidências que se integram num conjunto único – o que pode ser o melhor
dado para um estudo do fenômeno UFO ou simplesmente um resultado efetivo da deformação da
investigação em si.
Na década de 70, diversos
trabalhos coincidentes foram publicados e divulgados. Esses trabalhos assinalavam que a
manifestação do fenômeno UFO era múltipla e, sendo assim, necessitavam de uma catalogação de
todas as suas diversas nuances. "Uma árvore não é suficiente para determinarmos como é o
bosque".
Mas ao examinar a casuística ufológica, comprovamos de forma
contraditória a associação de acontecimentos muito variados: desde a presença de um artefato
material, claramente definido, que sobrevoa os céus, até o surpreendente aparecimento de uma
criatura com asas que aterroriza a população rural de um Estado norte-americano (O Caso Kelly).
Poderíamos então sugerir que são diversos níveis de uma mesma realidade dinâmica e que ainda
está longe de ser analisada e catalogada na sua totalidade. No entanto, uma das características
do fenômeno possui um comportamento bem definido e, geralmente, são interpretados segundo a
opção clássica: uma manifestação tecnológica exterior à espécie humana. Esta presunção poderia
classificar, embora parcialmente, muitas das observações conhecidas. De forma quase constante, é
possível assinalar certas atitudes de curiosidade frente ao desenvolvimento técnico-humano,
logicamente muito condizente com uma manifestação artificial do que de um fenômeno natural.
Basta notar como sempre houveram relatos assinalando, por exemplo, a constante manifestação UFO
em áreas militares bélicas.
A partir da "Era Moderna dos Discos Voadores" (desde 1947), uma
característica passou a ser notável e bastante significativa: em determinados períodos de tempo,
as observações de UFOs aumentavam consideravelmente, para depois cair de forma brusca.
Produziam-se quase a nível mundial perfilando-se especialmente sobre uma determinada
região.
Essa característica do fenômeno passou a ser definida como
"onda ufo". Assim uma "onda ufo" corresponde à manifestação do fenômeno, que se desenvolve num
breve espaço de tempo (dias, meses, semanas), e se limita a uma área geográfica específica. Os
estudos estatísticos que têm sido realizados em torno desta pauta têm catalogado as freqüências
destas "ondas ufo" e demonstram seu óbvio caráter de aleatoriedade de
manifestação.
Imediatamente, após a
divulgação pela mídia de avistamentos ufológicos, freqüentemente tratada de forma
sensacionalista e imprópria, a opinião pública costuma sensibilizar-se e surgem grandes
quantidades de avistamentos "colaterais", como uma espécie de "contágio". Essa situação pode,
inclusive, alcançar o caráter de "onda" ou "febre" de testemunhas, porém o interesse público
decresce tão velozmente quanto o aparecimento da "onda ufo".
Neste ponto chegamos a um primeiro problema: o caráter e o
significado no contexto geral do desenvolvimento de uma "onda ufo". Se por um lado pode
realmente existir uma quantidade de manifestação do fenômeno UFO significativa e que está
agrupada num determinado tempo e numa determinada área específica; por outro lado a difusão
ufológica poderia estar gerando uma comoção pública e, assim, criando avistamentos que não
existem, mas que são produtos da histeria coletiva acerca do assunto. Há várias hipóteses para
tentar explicar a característica "onda" do fenômeno UFO:
HIPÓTESE
PSICOLÓGICA – Diante da divulgação
sensacionalista de um evento ufológico, as pessoas fazem "eco" (uma espécie de feedback gerado
pela comoção) do fato e que é motivado por uma necessidade psíquica de identificação. Assim, o
público observa uma grande quantidade de UFOs que, obviamente, correspondem a um sugestionamento
mental e não à manifestação do fenômeno de fato.
HIPÓTESE
SOCIOLÓGICA – Determinados fatos
sociais repercutem diretamente em uma maior quantidade de observações de UFOs. Alguns momentos
críticos para a humanidade, como guerras, desequilíbrio econômico e social, conflitos, crises,
índices de suicídios, etc; inclusive fenômenos de grande transcendência na sociedade atual, como
desemprego, influenciam numa maior quantidade de avistamentos que denunciam a presença de UFOs
no nosso meio. Existem impagáveis estudos estatísticos onde se estabelece uma correlação entre
estes fenômenos sociais e os UFOs.
HIPÓTESE
FÍSICA – Existem períodos no tempo
em que se pode apreciar uma maior atividade de UFOs, que é uma razão intrínseca à
intencionalidade da manifestação ufológica.
A primeira hipótese foi utilizada com excessiva liberdade, tanto
por pessoas que pretendiam revelar um "novo fenômeno psicológico", de grande
transcendência para a humanidade, como por aqueles meios de comunicação que, depois de divulgar
avistamentos de forma inadequada, criticam os mesmos alegando explicações
simplistas, como histeria coletiva, loucura geral, etc. Na realidade, a dinâmica e motivações do
"contágio ufológico coletivo" diferem da manifestação e presença do fenômeno UFO.
Carl Jung, um dos mais destacados psicólogos e discípulo de Freud,
apresentou a teoria do Inconsciente Coletivo. A humanidade possui um legado psíquico comum,
determinado no inconsciente. A forma da "mandala", o círculo luminoso mágico (semelhança clara a
mais de 90% dos UFOs avistados), que todas as doutrinas religiosas assinalaram como de grande
importância através de mitos, lendas e cerimônias, constituiria o fundamento básico para
explicar o fenômeno UFO, à luz do "inconsciente coletivo". Esta imagem inconsciente afloraria em
momentos de especial necessidade, crise coletiva, descontrole mundial, etc, na forma de UFOs.
Jung definiria por isso o fenômeno UFO como "reflexo dos arquétipos
inconscientes".
As dificuldades que apresentam a teoria do "reflexo dos
arquétipos inconscientes" começam quando os UFOs produzem rastros físicos: marcas no solo,
alterações biológicas nos seres vivos, são detectados com meios tecnológicos avançados, como o
radar ou sonar (19 de maio de 1986 – A Noite Oficial dos UFOs), e são fotografados e
filmados. Arquétipos tendo uma constituição física? A teoria de Jung é, sem dúvida, extremamente
importante, tal qual o próprio Jung e o que suas teorias representaram para as Ciências Humanas,
e efetivamente explica parte do fenômeno. Mas o próprio Jung assumiu, em vida, que há algumas
provas do fenômeno UFO que não admitem quaisquer alternativas a não ser de se aceitar que pode
haver alguma realidade física do fenômeno.
A possibilidade de uma resposta sociológica para o fenômeno UFO é
realmente interessante. Existem dados comparativos e significativos: os anos de 1946, 1954, 1965
e 1968 assinalam um aumento significativo de demanda de empregos nos Estados Unidos, coincidindo
justamente com datas de supostas "ondas ufo". Outros anos com grande quantidade de avistamentos
ufológicos também registravam momentos extraordinariamente críticos na política, descontroles
sociais e depressões econômicas agudas. Mas tudo isso esbarra, tal qual foi dito acima, nos
rastros "físicos" do fenômeno.
A INFLUÊNCIA DOS MEIOS DE
COMUNICAÇÃO
A influência dos meios de comunicações no nascimento e
desenvolvimento de uma "onda ufo" pode ser crítica. Diante de um aumento de notícias de
avistamentos ufológicos, as pessoas se sentem mais propensas para se exporem divulgando suas
observações, já que a opinião pública está mais receptiva para tais notícias e podem ser aceitos
de melhor forma, diminuindo bastante os riscos do ridículo e desconfiança que se produziriam num
âmbito temporal diferente. Mas abusou-se desta hipótese para explicar as "ondas ufos", caindo
numa autêntica "síndrome" psíquico-social, que tenta interpretar os UFOs como respostas sociais
– que de fato assim o são, indiscutivelmente, em muitas ocasiões.
Foi um investigador espanhol, Eduardo Buelta, num trabalho
publicado em outubro de 1962, que começou a interessar-se pela análise das "ondas ufo" e suas
freqüências. No seu interessante trabalho, que engloba os avistamentos ufológicos durante um
período de dez anos, de 1947 a 1957, ele detectou um aparente deslocamento progressivo dos UFOs
para o oriente das zonas geográficas na qual se manifestavam. Buelta escreveu: "Parece que o
fenômeno UFO dividiu o globo terrestre em setores alongados de pólo a pólo, como se quisessem
cartografar o planeta de forma metódica e cuidadosa, sendo que as aparições numa determinada
área geográfica são precedidas da outra ao lado no globo".
O doutor David Saunders
estabeleceu uma classificação para o perfil gráfico das "ondas ufo": Um primeiro tipo seria
aquele que cresce de forma gradativa até chegar a um nível máximo de atividade, para cair
imediatamente. Um segundo tipo tem um perfil médio e simétrico a um eixo imaginário (não há
crescimento ou diminuição, mas uma constante quantitativa num determinado período). O terceiro
tipo assinalaria as "ondas ufo" que começam bruscamente até alcançar um rápido crescimento para
decair progressivamente. Os dois primeiros casos, segundo Saunders, responderiam a verdadeiras
"ondas ufo".
No entanto o terceiro, cujo perfil é de um início brusco e queda
progressiva, corresponderia justamente a influência dos meios de comunicação sobre o público.
Saunders se refere ao fato de que um avistamento isolado, possivelmente real, é divulgado na
mídia e o público em geral, por sua vez, tomado pela comoção e uma necessidade psíquica de
identificação, começa a ver UFOs em tudo quanto é lugar – é aí que entra a explicação
psicológica já citada acima. Com o passar do tempo, a comoção e o interesse do público vai
diminuindo (a notícia vai ficando "velha" e esquecida) – o que marca uma queda rápida, porém
progressiva, da falsa "onda ufo". É importante salientar que uma falsa "onda ufo" não significa
necessariamente que todos os casos catalogados sejam falsos. Podem haver avistamentos e
incidentes reais isolados, mas que não constituiriam uma "onda ufo" de fato. Vale lembrar que no
auge do "Chupacabras" no Brasil, até cachorro morto no meio da rua por atropelamento virou uma
"nova vítima" do insólito predador divulgados em programas televisivos altamente questionáveis,
como o Gugu, no SBT.
Ainda, o doutor Saunders selecionou 18.000 casos com informações
suficientes da casuística ufológica mundial. Depois de analisá-los e depurá-los, estabeleceu o
que considerou como as mais importantes "ondas ufo" a nível mundial (o mês apontado em cada uma
das ondas são os "picos" – havendo vários casos em meses anteriores e
posteriores):
JULHO DE 1947 – Oeste dos Estados Unidos.
AGOSTO DE 1952 – Leste dos Estados Unidos.
OUTUBRO DE 1954 – França e Europa.
AGOSTO DE 1957 – América do Sul (em outubro de 1957 ocorreu O Caso
Villas-Boas e, em janeiro de 1958, O Caso Trindade, entre outros).
AGOSTO DE 1965 – Meio-Oeste dos Estados Unidos.
OUTUBRO DE 1967 – Inglaterra.
NOVEMBRO DE 1972 – África do Sul.
Mas o interessante é que nesta análise Saunders descobriu uma
sugestiva correlação: as "ondas ufo" se deslocavam para o leste em períodos de cinco anos
aproximadamente. Conclusão muito similar à desenvolvida por Eduardo Buelta, em
1962.
É difícil estabelecer uma cronologia das complexas "ondas ufo". O
SOBEPS (Sociedade Belga para o Estudo de Fenômenos Espaciais) estabeleceu estatísticas que
assinalam o número de observações ufológicas entre os séculos de 1800 e 1900, sendo o período de
maior precisão nestas observações a partir de 1885. As "ondas ufo" que ocorriam justamente nos
momentos de grande depressão econômica foram as seguintes: 1885, 1896, 1897, 1905, 1933 e 1934.
A grande "onda ufo" de 1897 foi classificada como
a mais importante de todo o século XIX. Segue abaixo uma listagem cronológica das "ondas ufo"
desenvolvidas em todo o mundo, com suas respectivas características destacáveis:
1885 – Observações de objetos com formato de
disco.
1896 a 1897 – Estranhas naves aéreas, similares às descritas nas
novelas de Julio Verne, "Robur, O Conquistador" e "O Dono Do Mundo". Estas máquinas pareciam ter
sistemas de propulsão contemporâneos para sua época: a vapor, por ar comprimido, etc. Também
foram catalogadas presenças de seres que tripulavam os UFOs, os quais eram parecidos com os
humanos e que pediam às testemunhas água, azeite, petróleo ou ferramentas.
1905 a 1909 – Observações de UFOs similares a dirigíveis ou
zepelins, cujo comportamento estava muito afastado dos habituais terrestres: grande rapidez,
manobrabilidade excessivas, estranhas luzes, etc.
1913 a 1914 – Estranhos aparelhos em forma de
charuto.
1933 a 1934 – Aviões de características e comportamentos anômalos.
Apareciam com freqüência sobre vias de comunicação e, com relativa facilidade, detinham seus
motores de até oito hélices visíveis, sustentando-se no ar sem a maior dificuldade. Estes
"aviões fantasmas" foram vistos até 1939, porém, a partir de 1934, deixaram de ser extremamente
freqüentes.
1945 – O fenômeno dos Foo-fighters.
1946 – Naves cuja aparência se assemelha às armas secretas
(bombas voadoras) alemãs tipo V-1 e V-2, observados principalmente sobre o norte da Europa,
Grécia e Suíça.
De 1947 a 1972 aconteceram as "ondas ufo" já mencionadas pelo
doutor Saunders. Na Espanha destacamos principalmente as produzidas em 1950, 1954, 1965/66, a
abundante de 1968/69, 1974/75 e 1978/79, entre outras. Vale destacar que, desde o início da
década de 90, há inúmeros registros ufológicos no México, Porto Rico e Equador. No Brasil,
durante o incidente envolvendo o Caso Varginha, em 1996, o sul de Minas Gerais foi palco de
inúmeros avistamentos.
A HIPÓTESE
MARCIANA
No fim dos anos cinqüenta, surgiu a primeira teoria para tentar se
explicar a origem dos UFOs. Essa teoria apontava para o fato que a posição astronômica do
planeta Marte estava relacionada com a maior ou menor quantidade de avistamentos ufológicos no
nosso planeta. Um dos principais investigadores que descobriu esta relação foi o desaparecido
Oscar Rey Brea, meteorologista de Galícia.
Segundo Brea, as "ondas ufo" alternariam a cada dois anos,
coincidindo justamente com a maior aproximação de Marte – já que Marte se aproxima da Terra a
cada vinte e seis meses. Essa constatação foi a base da "teoria bianual do ciclo marciano", na
qual posteriormente foi ampliada por Eduardo Buelta e os franceses Jacques Vallée e Aimé Michel.
No entanto, os próprios defensores dessa teoria admitiam que nem sempre a aproximação marciana
coincidia com uma "onda ufo". Por exemplo: a "onda ufo" de 1968, ocorrida na Espanha, não
coincidiu. No entanto, a segunda parte desta "onda ufo", que correspondente ao ano de 1969,
coincidiu com a posição marciana de 31 de maio. Este mês foi marcado por uma constante atividade
ufológica. A "onda ufo" de outubro de 1973, que afetou quase toda a América do Norte e na qual
foram registrados casos considerados clássicos da ufologia nos Estados Unidos, aconteceu
justamente no período de aproximação astronômica de Marte.
Outros investigadores também se interessavam por essa possível
relação. Em 1973, o investigador valenciano Miguel Guasp publicou um trabalho muito interessante
intitulado "Teoria do Processo dos Ovnis". Nela, Guasp analisava e relacionava a aproximação
astronômica de Marte e a incidência do fenômeno UFO.
Reinaldo Stabolito é ufólogo e
Coordenador Geral do INFA
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