INFA Equipe Casos Textos Depoimentos Entrevistas Fraudes Enganos Download Links Cursos Contato

Por Reinaldo Stabolito

           Mas não se trata apenas de pressupor uma origem marciana para o fenômeno UFO diante de uma coincidente manifestação de "ondas ufo" em momentos que o planeta Marte estaria mais próximo da Terra. Houve registros na casuística ufológica que pareciam reforçar tal especulação.

           No dia 24 de abril de 1964, em Tioga County, New York (EUA), o jovem fazendeiro Gary Wilcox, num pasto dentro de sua propriedade, teve um surpreendente encontro com um disco tripulado por seres baixinhos e estranhos. Estes seres, depois de recolherem amostras do solo e depositá-las cuidadosamente numa bandeja, disseram-lhe que vinham do planeta Marte e que estavam recolhendo alguns recursos naturais da Terra para pesquisas. Depois de pedir um pouco de fertilizante à testemunha, os seres entraram na nave e decolaram, desaparecendo no céu a grande velocidade.

           Este caso parece corroborar com a "hipótese marciana"; porém, a verdade é que os UFOs se manifestam de forma confusa, esquiva e até aparentemente teatral. Tal como o planeta Marte, na casuística encontramos as mais diversas informações sobre o planeta de origem dos extraterrestres. De Marte a Vênus, os extraterrestres chegaram a citar corpos celestes até de fora de nosso sistema para se referirem ao seu local de origem. Talvez estejamos diante de diversas civilizações, ou talvez os próprios extraterrestres promovam esse tipo de confusão deliberadamente por motivos que desconhecemos. Parece ingênuo e absurdo considerar a uns supostos alienígenas "marcianos" nas suas espetaculares "naves discoidais" venham até a Terra, vencendo a distância de 74,5 milhões de quilômetros (posição mais próxima entre Marte e Terra), somente para pedir adubo e dar conselhos impróprios e infantis à humanidade (como alegam muitos "contatados").

           A verdade é que não temos o menor conhecimento seguro de qualquer coisa sobre o fenômeno e só nos resta a terrível e abusiva presença dos UFOs e seus humanóides. Sua complexa manifestação parece ser inútil e ilógica. As intenções de nossos misteriosos visitantes não são claras, apesar das múltiplas estatísticas, fórmulas, teorias e intuições que os esforçados investigadores do fenômeno estão desenvolvendo. No entanto, as "ondas ufo" parecem demonstrar uma organização em algum nível, pois o fenômeno se concentra e centraliza suas atividades numa determinada área num determinado tempo.

           Quando falamos de UFOs estamos referindo-nos a um fenômeno com características muito particulares, definido principalmente pela sua singularidade e aleatoriedade. A singularidade indica que o fenômeno não se ajusta a nenhum tipo de experiência provocada e não é mais que um fato histórico. A aleatoriedade indica que sua presença e atuação não são previsíveis e, por isso, torna-se praticamente impossível classificá-los dentro dos fenômenos estudados pela metodologia científica.

           A manifestação UFO foge a todas tentativas de observações deliberadas, salvo em poucas exceções. Normalmente seus aparecimentos são repentinos e os conhecemos por declarações de testemunhas e alguns vestígios e registros (marcas nos solos, fotografias, etc). Para que o estudo do tema se converta em um fato científico, deve ser objeto de experimentação e compor um modelo previsível que responda a determinadas leis. Todos sabemos que, geralmente, as testemunhas humanas são discutíveis e, em muitas ocasiões, equivocadas com relação à realidade do fenômeno observado.

OS ESFORÇOS DE AIMÉ MICHEL

          Desde a década de cinqüenta, em que apareceram os primeiros grupos e investigadores privados atraídos pelas testemunhas que apareciam nos meios de comunicação, surgiram diversas tentativas para superar os problemas já citados – entre os quais o fato do fenômeno UFO não se ajustar a nenhuma categoria científica. O grande objetivo da investigação é, em última análise, superar o estado compilador de informações para a formulação de leis que expliquem o conjunto do fenômeno. Para tanto, muitos pesquisadores buscaram – e ainda buscam – incansavelmente detectar a existência de alguma ordem lógica no fenômeno.

           A aproximação mais notável a tal propósito foi realizada pelo investigador francês Aimé Michel, utilizando os dados da "onda ufo" de 1954. Poderíamos dizer que foi um primeiro passo para a estipulação de uma ordem lógica que objetivava encontrar soluções adequadas para o fenômeno UFO. Assim, a descoberta de Aimé Michel significou um passo importante na fixação da possível intencionalidade dos avistamentos ufológicos.

           A história diz que foi o escritor Jean Cocteau, numa conversação mantida com Michel, quem lhe sugeriu a possibilidade de que, diante da aparente desordem apresentada pelo conjunto de observações ufológicas na "onda ufo" de 1954, tratasse de analisar as testemunhas correspondentes a um período curto, num dia ou, pelo menos, numa semana.

SURGE A TEORIA DAS ORTOTENIAS

           Seguindo esta idéia, Aimé Michel, entre 1956 e 1957, começou a marcar num mapa muito detalhado do território francês, dia por dia, todas as informações de avistamentos ufológicos divulgados na imprensa e em outras fontes – sendo que teve o cuidado de "filtrar" as informações e somente dar relevância aos dados mais confiáveis.

           Num primeiro momento, Aimé Michel percebeu que os diferentes lugares onde ocorriam os avistamentos não pareciam ser escolhidos pelo fenômeno ao acaso. Na verdade uma certa quantidade de avistamentos se alinhavam em retas de três, quatro e até seis pontos. Esta disposição surpreendeu Michel, que a denominou ortotenia (do grego "ortotenos", que significa "situado na linha reta"). Na superfície terrestre se formavam linhas de máxima curvatura, que na linguagem marinha se chama de ortodrómica: a distância mais curta entre dois pontos da superfície do globo. Os meridianos, por exemplo, são linhas ortodrómicas.

          Além do possível caráter puramente casual de alguns alinhamentos, Michel constata um fato muito característico. As "ortotenias" têm uma duração de um só dia, cessando a meia-noite e dispondo-se de forma totalmente diferente no dia seguinte. É importante entender que a "ortotenia" traçada não corresponde à trajetória ininterrupta de um só UFO, nem estão situadas as observações de uma mesma linha seguindo uma ordem cronológica. Era como se o fenômeno escolhesse uma área específica para cada dia de manifestação.

           As diversas formações ortotênicas compõem figuras estreladas, cujos pontos de união Michel denominou de "centros de dispersão". Em tais centros, sistematicamente, se informava a presença de um "charuto voador". Essa coincidência foi um grande indício de que Michel estava encontrando uma ordem lógica. Os UFOs conhecidos como "charuto voador", segundo a literatura especializada, são classificados como possíveis naves-mãe, em virtude de sua função de albergar outros corpos menores.

           Um evento muito característico é o de Vernon. Na noite de 22 e 23 de agosto de 1954, o senhor Bernard Miserey, comerciante de Vernon, departamento do Eure, França, regressou a sua casa guardando o carro na garagem. Ao sair do veículo, surpreendeu-se com a visão de uma suave luz inundava todo o céu. Era uma espécie de massa luminosa, que permanecia imóvel e silenciosa e que parecia estar flutuando na vertical. Sua forma assemelhava-se a um gigantesco charuto. Enquanto contemplava aquele extraordinário fenômeno, surgiu um objeto em forma de disco que, a princípio, desceu em queda livre. Depois diminuiu a marcha e se dirigiu horizontalmente através do rio. O disco ficava cada vez mais luminoso e se dirigia para sua direção – o que permitiu Bernard contemplá-lo de frente. O objeto estava rodeado por uma espécie de auréola muito luminosa.

           Por fim, o objeto desapareceu na direção sudeste em grande velocidade. E, neste momento, um segundo disco se desprendeu da parte inferior do charuto voador com idêntico movimento. Um terceiro e um quarto disco lhe seguiram e, pouco depois, um quinto disco caiu do charuto, que permanecia imóvel. Este último objeto desceu a menor altura que os anteriores, detendo-se um instante sobre uma ponte, enquanto oscilava levemente. Bernard Miserey contemplou com total clareza que a forma do disco era circular e estava rodeava de uma luminosidade vermelha, mais intensa no centro. Depois de uns instantes de imobilidade, o objeto se afastou rapidamente em direção ao Norte – tal qual os UFOs que haviam saído primeiro. A luminosidade do charuto voador tinha desaparecido e o imenso objeto se confundia com a escuridão da noite. A duração daquela singular observação foi de uns quarenta e cinco minutos. No dia seguinte, soube-se que dois agentes da polícia local também tinham contemplado o mesmo fenômeno, porém em horário diferente: 01:00 hora da madrugada.

          A partir deste primeiro enfoque de Aimé Michel, que apareceu na sua obra "Os Misteriosos Discos Voadores", outros investigadores em todo o mundo começaram a aplicar a mesma teoria das ortotenias. São destacáveis os trabalhos do doutor Olavo Fontes, sobre a casuística brasileira, principalmente referente ao ano 1960. O estudo demonstra que a rede de alinhamento é similar à descoberta na França por Michel.

           O lançamento da obra de Aimé nos Estados Unidos fez que muitos cientistas e investigadores se interessassem pela existência das ortotenias. O doutor David Saunders, antigo membro do Comitê Condon, realizou um estudo sobre a notabilidade do denominado alinhamento "BAVIC". Esse alinhamento foi formado por seis observações no território Francês, em disposição retilínea perfeita, indo da cidade de Baieux e Vichy. O doutor David Saunders estendeu esse alinhamento por todo o globo e chegou a conclusão de que a coincidência era bastante significativa. Na Espanha, Antonio Felix Ares de Blas e David Garcia López, entre outros, utilizaram a teoria de Michel aplicando-as na "ondas ufo" ibéricas de 1950, 1968 e 1969. Nas "ondas ufo" de 1968 e 1969, apesar de não existirem linhas por cima dos quatro pontos, distinguiu-se um "foco de dispersão" no Mediterrâneo que coincidia justamente nas observações de determinados países europeus.

           Foram aplicados diversos argumentos para encontrar uma explicação natural à "concentração" de observações em certos períodos e, portanto, à hipótese ortotênica. Durante uma sessão da Academia de Medicina de Paris, em 16 de novembro de 1954, o doutor George Heuyer, professor de psiquiatria infantil, leu um comunicado que explica em extremos de psicose coletiva os avistamentos de UFOs daquele ano. Baseando seus argumentos principais no "duplo delírio", segundo o qual uma pessoa "indutora" (doente mental) influencia determinadas idéias sobre outro denominado "induzido" (alguém habitualmente sugestionável) e, com isso, criam-se fatos inexistentes que extrapolam aos diversos segmentos sociais: família, casa, bairro, e assim sucessivamente. Estas idéias sugestivas se propagaram progressivamente.

           Segundo Heuyer, a psicose dos UFOs pode nascer de três elementos principais: uma idéia falsa, o medo que requer respostas e as condições do grupo e do meio. O grupo será composto pelos débeis mentais: segundo Heuyer, seriam uns 400.000 na França da época. Indubitavelmente, a teoria do "delírio dual" teve repercussão na época, apesar da sua aparente lógica, sem explicar satisfatoriamente todos os fatos. Dados como a manifestação ortotênica, as provas físicas recolhidas em alguns avistamentos de UFOs, as investigações dos governos motivadas por objetos detectados nos radares do Controle de Tráfego Aéreo, etc, são exemplos sólidos não explicáveis pela psiquiatria. No seu trabalho ortotênico, Aimé Michel pode ter feito um descobrimento capital que, apesar das múltiplas controvérsias, ainda é extremamente importante para a ufologia e deve ser seriamente considerado.

           No seu livro "Os Fenômenos Insólitos do Espaço" ("Lês Phénomenes Insolites De L'espace", publicado por Edições "La Table Ronde", em 1967), Jacques Vallée escreve "resta saber se a possibilidade da sua aparição pelo acaso não foi consideravelmente subestimada". Vallée teve a idéia de simular num computador uma "onda UFO", semelhante a ocorrida em 1954. Utilizando um método totalmente automático, a fim de eliminar o que chamou de "variável psicológica do pesquisador", colocou pontos ao acaso sobre uma superfície esférica representando a França. Em seguida, procurou determinar se houveram alinhamentos. Resultado: Vallée obteve uma linha de cinco pontos, cinco linhas de quatro pontos e vinte linhas de três pontos. Este experimento de Jacques Vallée prova que os alinhamentos podem efetivamente ser frutos do simples acaso. Vale ressaltar que Vallée nunca conseguiu um alinhamento de seis pontos, como o "BAVIC". Seria o alinhamento "BAVIC" um indício de intencionalidade ou uma formação ao acaso que não ocorreu no estudo de Vallée?

A TEORIA DOS CORREDORES

           Os investigadores franceses Charles Garreau e Raymond Lavier, afirmam que os UFOs aterrissam segundo um plano rigoroso: França e, sem dúvida, outras regiões parecem estar situadas abaixo de uma rede invisível, onda as malhas quadradas teriam 61.116 quilômetros de lado. Aproximadamente 80% das aterrissagens recolhidas durante vinte e oito anos, situam-se sobre o que podemos chamar de corredores de vôo permanente. Este trabalho começou a tomar corpo quando o investigador Raymond Lavier comparou três observações ufológicas de aterrissagem sucedidas em Poncey (1954), Marliens (1967) e Brazeyen-Morvam (1958). Estes locais são eqüidistantes de 43.200 quilômetros entre si. Além disso, estavam situados em duas perpendiculares. Os investigadores franceses quadricularam (lado de 43.200 quilômetros) um mapa do Instituto Geográfico. Incluíram-se todas as aterrissagens cadastradas até o momento e claramente apareceu a existência de corredores permanentes.

           Posteriormente, comparou-se este trabalho com o realizado pelo investigador neozelandês Capitão Bruce Cathie, que tinha descoberto no seu país uma quadrícula de 61.116 quilômetros, à que denominou de "Harmonic 33". Este esquema se superpunha exatamente ao quadriculado dos investigadores franceses, que era o suporte principal, e tinha como diagonais dois corredores descobertos. A distância de uma semidiagonal de uma quadrícula de 61.116 quilômetros é igual a 43.200 quilômetros, que é a mesma para a distância medida no mapa de aterrissagem da França.

           Poderia-se atribuir aleatoriedade a uma parte do aparecimento dos mencionados "corredores" e suas malhas, mas qualquer tentativa de interpretação lógica do fenômeno é digna de se ter em consideração. Dentro da casuística ufológica, recolhida desde 1947, destacamos significativos dados nos quais a intenção exploratória, suas amostras tecnológicas e recursos parecem evidentes. O doutor Olavo Fontes, a propósito das ortotenias sobre o Brasil, assinalava:

           "As linhas ortotênicas incluíam a localização das maiores estradas, de artérias ferroviárias importantes, diques, represas, centrais elétricas, depósitos de água e, inclusive, destacados centros e bases militares, como Fortaleza, Natal e Recife".

           Estas constatações podem ser válidas também em outros lugares do mundo. Não foram poucas vezes que aviões de caça, em missão de proteção de uma base militar, tiveram que interceptar UFOs, assim como o relato de militares sobre as constantes aparições de UFOs sobre depósitos nucleares. Mas afinal, qual é a verdade e a validade desses estudos? Já se especulou até que os UFOs se deslocam dentro de fluxos magnéticos específicos, na atmosfera terrestre, mas nada ficou comprovado até hoje. De fato, por enquanto o fenômeno UFO é uma incógnita total e todo o esforço que objetive encontrar uma ordem lógica é de suma importância.

Reinaldo Stabolito é ufólogo e Coordenador Geral do INFA

ONDAS UFO E ORTOTENIAS - PÁGINA 01 >


© 2004 Copyright INFA – Todos os direitos reservados

INFA Equipe Casos Textos Depoimentos Entrevistas Fraudes Enganos Download Links Cursos Contato